Um tanto chocante a cena que foi ao ar sábado (1/4), na novela “Belíssima”, da TV Globo, onde numa festa de casamento a personagem Mary Montilla, demonstrando toda sua “breguice”, ostentava em seu ombro um animal morto, provavelmente uma marta, como uma estola de pele.
Que pobreza de espírito!!! Achar que usar este complemento de vestuário pode ser chique ...
Isto só vem incentivar a matança, o extermínio e a crueldade contra estes pobres e indefesos animais, que na maioria das vezes têm suas peles arrancadas quando ainda vivos.
São caçadas através de armadilhas metálicas, que cravam em suas patas, e o pobre animal fica por semanas preso com as patas dilaceradas e acaba morrendo por esgotamento e perda de sangue. Uma morte cruel e que lhe causa imensa dor! Não raras as vezes, quando a armadilha é resgatada pelo caçador o animalzinho encontra-se agonizando e assim é retirada a sua pele, mesmo vivo.
Só para se ter uma idéia, na confecção de um casaco de pele é necessário que 11 (onze) raposas sejam cruelmente assassinadas. Ou, se preferirem, 100 (cem) chinchilas.
Segundo a Federação Internacional de Comércio de Peles, nos últimos anos foi constatado um aumento de 7% nas vendas de peles no mundo.
No Brasil, o consumo também aumentou nos detalhes das roupas e acessórios e somos um dos maiores criadores de chinchilas para exportação.
A indústria de pele é responsável por 3,5 milhões de animais cruelmente sacrificados por ano.
ONG’s de todo o mundo vêm fazendo um trabalho de extremo impacto na conscientização contra este tipo de atrocidade.
Enquanto isso, a mídia, ao invés de somar esforços, contribui para que este cenário sanguinolento continue a fazer parte de programas televisivos.
Lembrando que em 2005, na novela “América”, foi dada ênfase aos rodeios, prática esta também condenada por ser cruel aos animais.
Lamentavelmente, esta emissora mais uma vez presta um desserviço à causa ambiental, na medida em que a população brasileira é suscetível aos modismos e incapaz de discernir a ficção da realidade.
A autora, Jalile I. Abdel Aziz, é ativista da ONG Naturae Vitae