Tribuna do Leitor

“Que é do sorriso?”


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Este o título de uma crônica de Cecília Meireles que, no dizer do crítico português João Gaspar Simões, foi “um dos maiores poetas de língua portuguesa de todos os tempos”. A poetisa conta a história de um amigo estrangeiro que veio em visita ao Brasil e, depois de andar por todos os lugares do Rio de Janeiro, perguntou-lhe, “com extrema delicadeza”: - Que é do sorriso que vocês tinham antigamente? Procuro-o por aqui e por ali – e não o vejo mais! Cecília Meireles não tinha notado e começou a prestar atenção. Indaga-se sobre as senhoras, pessoas de idade, jovens, e pergunta: “Que é do seu sorriso?” Todos se justificam e tentam “encontrar explicações para esta coisa tão pequena: um sorriso desaparecido.” Ah! Cecília Meireles! Pena que você partiu em 1964! Mas o sorriso voltou, do tamanho do mundo, e está aí no céu bem perto de você. Sorriso brasileiro, paulista de Bauru, estampado nos lábios, no rosto e nos olhos do primeiro astronauta brasileiro, Marcos César Pontes. Nunca um sorriso subiu tão alto, mostrando-se aos povos de diferentes línguas, mas o mesmo sorriso, sem pátria, universal, igual em todas as pessoas. Marcos Pontes, o Brasil cresceu nesta missão espacial e você prestou a mais alta homenagem a Santos Dumont, no centenário do primeiro vôo, quando pôs na cabeça a réplica do seu chapéu panamá e acenou um lenço verdadeiro com as iniciais SD. Nunca a bandeira brasileira foi agitada tão alto! O povo brasileiro subiu e cresceu com ela. Marcos César Pontes, viajante das alturas, onde arrumou este sorriso? Com ele você fez que o tempo parasse e o Brasil se mostrasse aos olhos do mundo inteiro. É um sorriso além do imponderável, transcendental, de quem sonhou e alcançou, determinado, de quem chegou, viu e venceu: - “Veni, vidi, vici.” Cecília Meireles, este o sorriso que você procurava na sua crônica “Que é do sorriso?”

Pedro Mercadante Leite do Canto

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