Bairros

Leishmaniose chega a 16 casos, a metade do ano passado inteiro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

A confirmação ontem de mais três casos de leishmaniose visceral em humanos – dois na Vila São Francisco e outro na Vila Nova Paulista – revela que a doença em Bauru está em curva ascendente. Neste ano, em pouco mais de três meses, foram registrados 16 casos da moléstia, a metade do ano passado inteiro, o que mostra que a epidemia continua instalada na cidade.

A doença, registrada pela primeira vez em Bauru em 2003, está em elevação. O número de mortes também tem aumentado gradativamente entre 2003 e 2005 - neste ano não há registro de óbitos. Os três novos casos foram confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz. Na Vila São Francisco, dois meninos, um de 6 anos e outro de 4 anos, foram infectados. Já na Vila Nova Paulista, o paciente é uma mulher de 44 anos. Os três foram tratados no Hospital Estadual.

De acordo com nota divulgada à imprensa, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) afirma que executou as medidas de prevenção e controle nas áreas de abrangência - que inclui busca ativa de casos humanos, coleta de sangue de cães suspeitos de estarem com a doença e orientação à população sobre os cuidados com o lixo no meio ambiente para evitar a procriação do mosquito-palha, transmissor da doença.

Na semana passada, foram confirmados oito casos de leishmaniose visceral humana em Bauru - seis deste ano e dois referentes a 2005. O DSC informa que não há mais nenhum caso suspeito aguardando confirmação de exames. O secretário interino de Saúde, Mário Ramos, foi procurado pelo Jornal da Cidade para comentar as novas confirmações da doença, mas até o fechamento da edição, não havia entrado em contato com a reportagem.

Ranking

No ano passado, com o registro de 32 casos e quatro mortes, Bauru assumiu o primeiro lugar do ranking de leishmaniose no Estado de São Paulo, ultrapassando Araçatuba, que em anos anteriores liderava o levantamento.

Moradora da Vila São Francisco, Maria Aparecida da Cruz não sabia dos casos confirmados em seu bairro ontem. Ela afirmou que não se lembra da última vez que recebeu orientação em sua casa sobre como evitar a proliferação do mosquito-palha. “Mas o bairro está cheio de entulho e terrenos com mato alto”, aponta. Jandira Oliveira Vilas Boas também não sabia da confirmação. “Passaram anteontem falando sobre a dengue, como evitar. Mas nada sobre leishmaniose”, conta.

Rosemeire Ferreira Cunha, que mora na rua Maria José Pereira também se mostrou surpresa. “Fico muito preocupada com isso”, diz. Sobre o bairro, ela lamenta a falta de conscientização das pessoas. “Tem muita gente que joga lixo nos terrenos. Só pararam de jogar no riozinho, porque a prefeitura está com obras lá”, afirma.

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