A Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) firmaram um convênio com o poder judiciário, assinado pelo desembargador e presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Celso Limongi, que permitirá às duas entidades ministrar cursos profissionalizantes nas penitenciárias de todo Estado. As primeiras experiências devem ocorrer em Bauru.
A informação é do vice-presidente da Faesp, Maurício Lima Verde. Segundo ele, trata-se de um convênio inédito no Estado de São Paulo. “Estávamos em busca disso há bastante tempo, e agora o presidente do TJ, grande entusiasta da idéia, tornou possível através da assinatura deste convênio. Além dos cursos profissionalizantes, que serão dados pelo Senar, também haverá aulas de alfabetização rural”, ressalta Lima Verde.
Em Bauru, existem 3.293 detentos somando as penitenciárias 1 e 2 e o Instituto Penal Agrícola (IPA). Os dados são da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SAP), atualizados pela última vez em março.
“Os cursos são pontuais. Podem durar de dois dias até uma semana. Então, em pouco tempo é possível que os presidiários aprendam uma profissão e possam atuar na área rural depois que cumprirem a pena. Ou seja, esse projeto tem uma importância social muito profunda, e Bauru tem uma população carcerária grande”, observa o vice-presidente da Faesp.
De acordo com Lima Verde, ainda não há data certa para o início dos cursos, mas a idéia é começar já no próximo mês. O sistema de aulas será semelhante ao executado nos cursos ministrados a trabalhadores e produtores rurais. As aulas serão dadas por técnicos do Senar.
“Esse projeto é muito interessante porque, na prática, vamos criar uma escola dentro dos presídios. Os cursos vão abordar temas diversos, desde horticultura, artesanato, piscicultura e inseminação artificial, até aulas para aprender a dirigir trator. Como o projeto é inédito, algumas coisas poderão ser aperfeiçoadas durante os cursos para atender a demanda”, analisa Lima Verde.
É o caso das aulas de alfabetização rural. “Nós ainda nem sabemos se existe uma demanda para isso, ou se ela é grande ou pequena. São coisas que vamos avaliar ao longo da implantação do projeto. De qualquer forma, temos a estrutura para ministrar todas essas aulas”, complementa.
Além disso, os novos cursos que o Senar implementar depois que o projeto já estiver em andamento nas penitenciárias, também passarão a integrar as opções disponíveis aos presidiários que participarem do programa.
Lima Verde comemora a concretização do projeto. “É uma coisa muito bonita, pois é uma oportunidade de exercermos o lado social da nossa atividade. Cada um terá o seu papel bem definido no projeto. O Senar entrará com os recursos necessários (para a realização das aulas), porque não podemos depender do governo”, programa.
Até ontem, a direção do IPA e das duas penitenciárias de Bauru ainda não haviam sido informadas sobre o projeto, já que o convênio foi assinado no final da tarde de segunda-feira, no Palácio da Justiça, em São Paulo.