Bairros

Intolerância vira base de ação para melhorar o ambiente da escola

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A expressão “fazer do limão uma limonada” é a aposta da escola estadual Luiz Zuiani, localizada no Parque São Jorge, em Bauru, para diminuir violência e melhorar o ambiente estudantil. Experiências de brigas, intolerância e desobediência entre alunos foram usadas para elaborar um projeto já apresentado à Diretoria de Ensino de Bauru e que despertou interesse de outras instituições: durante dez dias, a partir de segunda-feira, os alunos assistirão aulas teóricas sobre os “seis pilares do caráter” definidos pela instituição: sinceridade, respeito, responsabilidade, zelo, senso de justiça e cidadania.

“Esses valores são fundamentais para nortear suas vidas pessoais e para construir uma sociedade mais harmoniosa e feliz”, diz Ana Maria Pedon. Ela é coordenadora do projeto, que foi intitulado “Cidadania – vivenciando a construção de valores na educação”. A teoria será inserida em aulas de língua portuguesa, história, geografia, artes, educação física, ciências e ensino religioso.

Com isso, os professores esperam que os alunos irão repetir o comportamento aprendido em sala de aula. “Faremos gincanas e dinâmica de grupo para que os alunos vivenciem o que aprenderam. Assim, saberemos se o projeto foi bem-sucedido”, explica Pedon. A idéia é que os ensinamentos teóricos e práticos continuem ao longo do ano.

Participarão professores, funcionários e familiares dos alunos. “O envolvimento de todos trará resultados mais abrangentes. A família tem importância fundamental”, diz a diretora da instituição, Maria Ligia Dacar de Carvalho. Inclusive, será realizada uma reunião com os pais hoje, às 18h30, na escola, antes do lançamento do projeto.

A diretora acredita que os alunos irão melhorar o comportamento na escola e em casa e frisa que já começou a observar os resultados. Os funcionários e a comunidade querem esquecer um ato de violência ocorrido em 2003: a explosão de uma bomba, provavelmente de fabricação caseira, no banheiro da escola e que causou o rompimento de membranas dos ouvidos de um professor.

Desde então, a diretoria da escola tomou atitudes com objetivo de diminuir a violência e promover a cidadania. “O aluno tornou-se um co-autor na escola. Eles ajudam os funcionários a tomar decisões importantes. Por isso, sentem-se participantes da vida escolar”, explica Dacar.

Os alunos ajudaram a escolher, por exemplo, a cor das paredes da escola, através de votação. O uniforme escolar também foi modificado. “Os alunos fizeram desenhos diferentes e através de votação, escolhemos o que seria mais adequado para a escola”, conta a diretora. “Os adolescentes são críticos. Eles gostam de mostrar sua opinião e ajudar nas decisões. Apostamos nesse potencial de nossos estudantes”, completou a supervisora de ensino Ângela Maria Furquim Carneiro.

Um estudante do 3.º ano do ensino médio avalia que a violência na escola já diminuiu, mas admite que ainda falta respeito entre aluno e professor. Ele acredita que o projeto vai melhorar a convivência na escola. “Se um professor manda o aluno para fora da sala, perde a razão. O aluno acha que pode fazer o mesmo com o professor”, conta. “Se for para melhorar o relacionamento entre professores e alunos, acho que será bem-vindo (o projeto)”, conclui.

Uma aluna do 3.º ano do ensino médio relata que a intolerância envolve, inclusive, o jeito de cada um vestir-se. “As pessoas não respeitam a maneira de cada um se vestir e isso pode gerar brigas”, conta ela, que teve o nome preservado para evitar represália. A escola possui 1.570 estudantes do ciclo 2 do ensino fundamental e ensino médio. Todos participarão do projeto.

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