Regional

Polícia de Piratininga recolhe madeiramento entregue à prefeitura

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Piratininga - A Polícia Civil de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) apreendeu ontem um caminhão que transportava um lote de madeira para a prefeitura, possivelmente, em situação irregular. A carga teria sido vendida para a prefeitura, que teria pago pelo material antes do recebimento.

Segundo o presidente da Câmara, Emídio Antônio Mansanaro (PP), no dia 6 de abril foi empenhada uma nota de compra de madeira para a prefeitura, que teria pago pelo material, mas até anteontem o lote comprado não havia sido entregue. A Câmara, através de seu presidente, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia alegando o não-recebimento. A madeira foi comprada pelo Executivo para ser utilizada na construção de pontes, segundo os vereadores.

Mansanaro explica que na segunda-feira os vereadores tiveram a confirmação de que o valor da mercadoria teria sido pago ao fornecedor pela prefeitura e resolveram, então, verificar se a madeira teria sido entregue, mas, segundo o vereador, ela não foi encontrada naquele dia.

Os vereadores acusam um funcionário do setor de obras de ter apresentado um recibo de entrega, possivelmente assinado pelo prefeito, sem que a mercadoria tivesse, de fato, sido entregue pelo fornecedor.

Ontem, segundo o presidente da Câmara, o caminhão com o carregamento de madeira chegou à garagem municipal, por volta das 9h30, com a mercadoria comprada pela prefeitura. No entanto, o carregamento, segundo Mansanaro, não trazia as mercadorias que constavam na nota de compra.

Pela nota, o fornecedor deveria entregar um lote de vigotas e pranchas de madeira peroba mas, segundo o vereador, a mercadoria entregue era composta por outro tipo de madeira, provavelmente angelim. O fornecedor da mercadoria, Gilberto Ventura, reconheceu que a madeira entregue não é a mesma discriminada na nota, mas garantiu que também é madeira de lei e tem o mesmo valor comercial. “Na nota foi especificada peroba e esta é angelim. Mas é madeira de lei, tem o mesmo valor comercial e a mesma especificação de uso, não tem diferença”, disse Ventura à reportagem.

Ele alega que houve um desencontro de datas e que a nota apresentada não é fria. Ele argumenta que teria tentado entregar a mercadoria dentro do prazo, mas a garagem municipal estava fechada e como em seguida ele teve de viajar, somente ontem pôde fazer a entrega.

Para o fornecedor, os vereadores estão querendo denegrir a sua imagem e atingir o prefeito. “Eu presto serviços para a prefeitura há aproximadamente dois anos. Eu sou amigo do encarregado de obras, todos me conhecem e sabem que eu ia entregar a mercadoria. Isso simplesmente é um complô dos vereadores tentando denegrir a minha imagem e também do chefe de obras, talvez para resvalar no prefeito”, comenta.

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Pedido de CP

Segundo o delegado Paulo Calil, será instaurado inquérito policial para apuração dos fatos. A madeira ficará apreendida à disposição da Receita Estadual nos termos do artigo 184 do decreto 45.490, que regulamenta o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS). O delegado ressaltou que até então não havia provas do envolvimento do prefeito Mauro Martinão (PSDB) no ocorrido.

Diante do ocorrido, o Clube da Terceira Idade “União de Piratininga”, representado por seu presidente José Vicente Ortolani, protocolou ontem na Câmara Municipal pedido de instauração de Comissão Processante (CP) para apurar a participação do prefeito no pagamento da madeira, sem que esta tivesse sido entregue. Para Ortolani, o prefeito “incorreu em infração político-administrativa grave e de alta relevância.

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