Karachi - Um ataque suicida durante uma cerimônia religiosa em Karachi, no sul do Paquistão, matou ontem ao menos 47 pessoas, incluindo o líder de um importante grupo muçulmano sunita, afirmou a polícia.
Forças militares foram colocadas em alerta para conter atos de violência e vandalismo que se espalharam pela maior cidade paquistanesa após o atentado, com jovens incendiando veículos e postos de gasolina.
Mais de 10 mil pessoas estavam reunidas no parque de Nishtar, no centro de Karachi, em uma cerimônia para celebrar o aniversário do profeta Maomé, quando a explosão ocorreu, no início da noite.
A polícia afirmou que o suicida estava vestido como os demais fiéis e sentado atrás de líderes do grupo sunita moderado Tehrik, diante de um palco onde se faziam sermões. Entre os mortos estavam o líder do Tehrik, Abbas Qadri, e seu vice, Iftikhar Bhatti. “Quem quer que tenha feito isso não era um muçulmano”, disse Tanveer Shafi, outro líder do grupo sunita.
Nenhum grupo assumiu a autoria da explosão, mas ataques semelhantes na região tem sido ligados a tensões sectárias entre sunitas e xiitas, e a maioria foi imputada a grupos extremistas ilegais. “É um incidente muito infeliz”, disse o ministro do Interior paquistanês, Aftab Khan Sherpao.
Um tumulto irrompeu no parque após a explosão. As pessoas corriam em diferentes direções, muitas tentando carregar os feridos para as ambulâncias. Policiais dispararam tiros para o alto para dispersar a multidão. “Vi pedaços de corpos por toda parte. Vi pessoas coletando os pedaços e colocando nas ambulâncias”, disse uma testemunha.
Karachi tem sido palco de diversos atentados desde que o Paquistão se tornou um aliado dos EUA na guerra ao terror após o 11 de Setembro. O ataque de ontem foi o mais letal no país desde março de 2005, quando uma explosão matou 43 pessoas em um santuário xiita na Província de Balusquistão. O ditador paquistanês, Pervez Musharraf, condenou o ataque e ordenou que se incrementasse a segurança em eventos religiosos, acrescentando que os culpados “não passarão incólumes”.