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Quanta tolerância!


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Pesquisas de opinião, como se sabe, são retratos de um momento. Nem por isso devem ser desconsideradas. Elas são sempre úteis, por reveladoras. É certo que a campanha eleitoral propriamente dita só vai começar com o início do horário eleitoral, em agosto, quando os principais candidatos poderão expor aos eleitores, por meio dos programas de rádio e tevê, suas propostas e biografias. O fato de o presidente da República, segundo o último Datafolha, ter o dobro das intenções de voto de seu principal oponente, Geraldo Alckmin (PSDB), agora, é o que menos preocupa. Até as eleições, tem muito chão a ser percorrido. O bom debate ainda nem começou.

O que preocupa, sim, é o fato de que, de acordo com o Datafolha, 79% dos eleitores acham que há corrupção no governo Lula e 83% acreditam que o presidente é muito ou um pouco responsável por isso. Não obstante, 40% dos entrevistados se dizem propensos a votar em Sua Excelência. De certa forma, tais dados nos levam a crer que, para muitos, a corrupção é algo inevitável, inerente à atividade política. É um pouco aquela história de que todos são iguais, ainda que as provas em contrário sejam abundantes. Aliás, neste momento, é isto o que mais interessa ao PT e ao governo do turno: convencer os eleitores de que nunca, em tempo algum, fizeram algo que os outros não tenham feito.

Trata-se de uma mentira deslavada, que só prospera em ambiente marcado pelo cinismo de uns e lassidão ética de outros. O caso da quebra do sigilo bancário do ex-caseiro da mansão do lobby e das orgias é apenas uma das inúmeras demonstrações que o governo e o PT nos têm dado de seu desprezo pelo Estado de Direito, pelas instituições. Os exemplos estão aí. Não tiveram escrúpulos em se valer do mensalão e do loteamento dos cargos públicos para comprar consciências frouxas e enriquecer antigos e novos companheiros. Mal chegaram ao poder, tentaram desmoralizar o Congresso com a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Depois, tentaram amordaçar a imprensa e pôr a canga no pescoço dos produtores culturais. E eles vão continuar tentando sempre solapar as instituições, desde que recebam nas urnas votos para tanto.

Certamente, muitos se lembram da época em que Lula da Silva se apresentava ao eleitorado como um brasileiro igualzinho a você – a mim ele não é, nunca foi. Depois, a estratégia era convencer a platéia de que o PT era o detentor único da ética e dos bons costumes, diferente de tudo o que havia, de tudo o que sempre existiu. Agora, por conveniência, a alegação é a de que o que fazem é o que todos fazem. Não é. Mas não deixa de ser inquietante saber que tanta gente ainda considere que o país pode avançar sem ética e competência.

O autor, Milton Flávio, é professor da Unesp e suplente de deputado estadual pelo PSDB

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