Eles já foram mais vistos, principalmente quando o mundo online não era tão influente na vida das pessoas. Os conhecidos office-boys, que comemoram seu dia hoje, continuam fazendo serviços bancários, porém com menor freqüência em função da Internet. Com isso, eles também passaram a desempenhar outras funções.
Pagamentos que antes só podiam ser feitos diretamente nas agências bancárias ou casas lotéricas, agora são realizados pela Internet, inclusive com mais rapidez.Dessa forma, sobra mais tempo para os office-boys cumprirem outras atividades nos escritórios, empresas ou repartições públicas onde prestam seus serviços. Enviar e checar e-mails dos chefes, por exemplo, são algumas das novas responsabilidades.
Rafael Ferreira Ataide, 16 anos, afirma que a Internet o faz ganhar tempo na execução de seus afazeres, principalmente os bancários. O adolescente, que trabalha há três meses numa empresa de engenharia civil em Bauru, diz que ainda faz alguns procedimentos nos bancos, mas nem todos os dias.
“O que dá para fazer pela Internet, nós fazemos porque perdemos menos tempo na rua e conseguimos vencer com menos pressão os serviços internos da empresa. Claro, faço alguns depósitos, saques ou pagamentos nos bancos, mas hoje, trabalho mais dentro do escritório, onde organizo os arquivos, vejo os e-mails que chegam e faço pesquisas na Internet para a chefia”, conta.
A profissão de office-boy é comum na família de Ataide. Seu irmão, Ricardo, além de ser gêmeo, atua no mesmo ofício. O adolescente trabalha há pouco mais de um mês como office-boy numa imobiliária, onde presta serviços bancários e também de informática.
Ontem à tarde, por exemplo, andava apressado pelo Centro de Bauru, porque tinha que visitar sete agências bancárias até às 16h. “Acho que não vou enfrentar fila hoje, os piores dias são o quinto e o sexto úteis do mês”, dizia.
Digitação de documentos também é responsabilidade de Ricardo na empresa. “Quando os pagamentos são feitos pela Internet, fico digitando contratos e pedidos. Acho que a rede e a informática em si, facilitaram muito a vida dos office-boys”, observa Ricardo. “Conheço tanta gente que começou como boy e foi promovido com o passar dos anos. Espero seguir o mesmo caminho”, completa.
Quem pensa que office- boy é profissão exclusiva de menino, engana-se. Giseli Bertizoli Moreno, 15 anos, trabalha como auxiliar administrativa na prefeitura de Bauru há cinco meses. Assim como os meninos, enfrenta fila nos bancos, anda a pé embaixo de sol e chuva, mas também tem sido beneficiada pela Internet.
“Saio bastante para ir ao banco, tirar fotocópias e fazer entregas de documentos nas outras secretarias. No entanto, também fico muito na Prefeitura digitando diários, decretos, projetos de lei e licitações. Depois de prontos, envio para os departamentos responsáveis por e-mail. Ganho muito tempo assim. O que facilita bastante é o Diário Oficial chegar por e-mail. Não preciso buscá-lo nem digitá-lo, apenas montar para depois mandar para a impressão”, destaca Moreno.
A adolescente, que cursa o primeiro ano do ensino médio, pensa em fazer administração de empresas motivada pelo ofício que hoje exerce.A cada seis meses, o Consórcio Intermunicipal da Promoção Social (Cips) de Bauru habilita cerca de 400 adolescentes, entre 14 e 18 anos, a atuar no mercado de trabalho como office-boys ou aprendizes, como costumam ser chamados no local.
Os garotos aprendem noções de informática, inclusive de Internet, de atendimento ao público e cidadania. Cléo de Marchi, assistente de relações públicas do Cips, informa que, pelo menos, 40% dos adolescentes que começam a trabalhar como office-boys são efetivados pelas empresas.
Para ela, o contato que eles têm com a Internet é fundamental para a conquista do primeiro emprego. “O conhecimento de Internet tem sido muito importante para os aprendizes (office-boys). Muitos, por ter o conhecimento de como manipulá-la, conseguem a efetivação do emprego", diz Marchi.
As empresas continuam utilizando os serviços de office-boy. Na Prefeitura de Bauru, por exemplo, 70 meninos e meninas trabalham distribuídos entre todas as divisões públicas na função de auxiliar de escritório.