Economia & Negócios

‘Bacalhau brasileiro’ é pouco conhecido

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Comum na região Norte do País, o pirarucu (Arapaima gigas) é conhecido como “o bacalhau do Brasil”, mas em Bauru o peixe ainda não é popular. Para os produtores que já criam pirarucu em cativeiro, suas postas salgadas substituem fielmente o peixe típico da Noruega. De acordo com a comerciante Maria Lúcia Pasquarelli, o peixe vem da região Norte em filés já congelados, que chegam a ter mais de três centímetros de espessura.

O pirarucu é o maior peixe de escamas do Brasil, chegando a alcançar até dois metros e meio de comprimento e 80 quilos. Ele é pescado na Bacia Amazônica com anzol ou arpão. Por ter respiração aérea, o peixe tem que subir à superfície, o que o torna uma presa fácil. Devido ao seu potencial econômico e rápido desenvolvimento em cativeiro, os criadores podem ser encontrados até no Estado de São Paulo.

O nome, de origem tupi, significa “peixe vermelho”. Sua língua é utilizada para ralar o guaraná e as escamas para lixar unhas. Nas regiões onde faz parte da culinária diária, a carne do pirarucu é colocada à venda em fardos depois de transformada em mantas, que são secas e salgadas. “Quando o peixe é salgado, tem o gosto mais acentuado. Ele fica compatível ao bacalhau do Porto”, aponta Maria Lúcia.

Além de ser saboroso, é uma opção mais barata para quem precisa fazer um grande almoço de Páscoa. O quilo do filé fresco de pirarucu custa em torno de R$ 18,00, enquanto o quilo do bacalhau do Porto - a variedade mais nobre - não sai por menos de R$ 40,00.

Apesar da diferença de preço, o bauruense não costuma substituir o bacalhau pelo pirarucu. Maria Lúcia diz que normalmente vende o peixe em filés congelados. “O costume de servir o pirarucu em postas salgadas é mais comum na região Norte, para mantê-lo bom para o consumo”. Ela explica que conservar o pirarucu no sal realça ainda mais o seu sabor. “O pirarucu é um peixe famoso, cercado de lendas. E quando chega (na peixaria), sai bastante”, garante Pasquarelli.

Tradição

Apesar da economia, muitos não abrem mão da tradição. Para Jefferson Previero, dono de restaurante, o bacalhau ainda é o prato principal da Sexta-feira Santa. “Pela desvalorização do dólar, você compra um bom bacalhau por um preço acessível”, observa. Ele confessa que ainda não utilizou o peixe em nenhum prato e também não sabia que o pirarucu é conhecido como “bacalhau brasileiro”. “Mas eu já pude ver alguns filés e comprovei que a carne é muito bonita”, aponta.

Contrariando a tradição, outro peixe que tem atraído o bauruense é a merluza. De acordo com a assessoria de comunicação de uma rede de supermercados da cidade, o peixe trazido da Argentina é um dos pescados importados mais baratos. Ele tem sido bastante procurado para substituir o bacalhau na tradicional receita com batatas, pimentão, cebola, tomate, e leite de coco.

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Pirarucu de Casaca

Ingredientes: 4 kg de pirarucu seco, 2 kg de farinha de mandioca torrada, 1 kg de tomate, 1 kg de pimentão vermelho, 1 kg de pimentão verde, 1 maço de cebolinha, 1 maço de coentro, 500ml de azeite de oliva, um cacho de banana da terra, 2 litros de leite de coco, 1 maço de chicória e pimenta do reino a gosto.

Modo de preparo: Deixe o pirarucu de molho na véspera, para tirar o sal. Frite o peixe em pedaços, se preferir, pode desfiá-lo. Cortar a cebola, tomate, pimentão, coentro, chicória, cebolinha. Misturar a farinha com o leite de coco. Cortar e fritar as bananas em rodelas. Montar a primeira camada com o peixe e a farinha. A segunda camada com os legumes picados e a terceira camada de pirarucu; regar com azeite. Seguir as camadas até terminar o prato.

(Fonte: Governo do Estado do Pará)

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