Internacional

11/9: fita revela detalhes da queda

Por Leila Suwwan | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - Ontem foi ouvida pela primeira vez em público, no julgamento do terrorista confesso Zacarias Moussaoui, a gravação da cabine do vôo United 93, o quarto avião dos atentados do 11 de Setembro, revelando detalhes do caos e do desespero na briga que ocorreu entre passageiros e seqüestradores antes que o avião caísse em Shanksville (Pensilvânia) - acredita-se que o alvo pudesse ser a Casa Branca.

A fita já havia sido ouvida por familiares dos 33 passageiros, mas até ontem só eram conhecidos detalhes das ligações das vítimas, que souberam dos três aviões que atingiram o World Trade Center e o Pentágono e, segundo a versão oficial, decidiram retomar a aeronave dos quatro terroristas à bordo - eles haviam anunciado apenas um seqüestro com ameaça de bomba às 9h30.

A caixa preta registra, às 9h58, os seqüestradores falando em árabe: “Há algo? Uma briga?”. Fora da cabine há vários sons de quebradeira, gritos, barulho de briga e confusão. Dois minutos depois os terroristas se perguntam se deveriam finalizar a missão. “É isso? Devemos terminar isto?”, diz um. “Não, ainda não. Quando todos eles vierem nós terminamos”, responde outro. Fora da cabine, os passageiros tentam usar um carrinho de bordo para forçar a porta da cabine e um terrorista pede ao outro que segure a porta. “Na cabine. Se não, nós vamos morrer”, grita um passageiro às 10h, três minutos antes da queda do avião. Nesse meio tempo, há gritos de passageiros pedindo para empurrar, gritos de “não”.

A conversa indica que o motim dos passageiros causou a derrubada precoce do avião pelos seqüestradores, que antes fizeram manobras bruscas de lado a lado. Os terroristas exclamam “Allah é o maior” várias vezes antes de o avião se chocar num campo. Segundo relatos da sala do tribunal, a gravação de 31 minutos foi ouvida com fixação pelos jurados, mas Moussaoui demonstrou pouca emoção.

No começo da fita, quando o avião foi tomado, um tripulante suplica: “Por favor, por favor, por favor não me machuque”. Os terroristas dão ordens para que os tripulantes se deitem. Uma voz de mulher diz: “Eu não quero morrer”. Zacarias Moussaoui, réu confesso e integrante da Al-Qaeda, é julgado por conspirar os atentados - o jurado irá decidir se ele será condenado à penas de morte ou prisão perpétua. Ele foi preso em agosto de 2001, após se matricular em escola de vôo nos Estados Unidos e não colaborou com informações que, segundo autoridades, poderiam ter evitado os atentados.

A fita foi parte do apelo final dos advogados de acusação, que também mostraram um mosaico com retratos de cerca de 3 mil vítimas do 11 de Setembro. Os advogados de Moussaoui começam sua defesa ontem e devem alegar insanidade para evitar a execução.

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