Internacional

Rice pede ‘medidas duras’ contra Teerã

Folhapress
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Teerã - O anúncio feito anteontem pelo Irã, de que pela primeira vez conseguira enriquecer urânio -processo destinado à produção de combustível nuclear- provocou condenação quase unânime da comunidade internacional, incluindo de China e Rússia, países que mantêm fortes laços com Teerã e que, geralmente, são comedidos nas críticas.

Ontem a república islâmica manteve o tom de desafio, reafirmando que sua intenção é colocar em funcionamento milhares de centrífugas nos próximos anos para alcançar o enriquecimento de urânio em escala industrial. As preocupações com o programa nuclear iraniano passaram a um novo estágio com o anúncio do Irã de que já começou a produzir combustível nuclear.

Começando pelos EUA, maior defensor de sanções contra o país, e passando pelos principais países europeus, até China e Rússia, que até hoje barraram ações punitivas no Conselho de Segurança da ONU, todos condenaram o Irã. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu “medidas fortes” do Conselho de Segurança.

Perguntado se Rice estava defendendo a aplicação de sanções, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, limitou-se a dizer que os EUA estavam em consultas com os outros membros permanentes do Conselho - Reino Unido, França, China e Rússia. Para o embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, embora haja diferenças entre os membros permanentes do CS sobre como lidar com o problema, todos concordam que o regime islâmico não deveria ter a bomba.

“O risco que o Irã oferece por dominar o ciclo nuclear é o de que a decisão de acumular urânio enriquecido suficiente para construir uma bomba atômica fica inteiramente em suas mãos. Deixar a capacidade nuclear potencial nas mãos do principal patrocinador mundial de terror não é uma perspectiva feliz.” As divisões, contudo, devem continuar tornando difícil adoção de medidas mais duras contra o Irã.

O embaixador da China na ONU, Wang Guangya, que reuniu ontem jornalistas para fazer uma dura condenação a um dos principais fornecedores de petróleo de Pequim, reiterou que ainda aposta no caminho diplomático. “Acredito que falar sobre sanções militares não será útil nas atuais circunstâncias”, disse.

O governo russo aderiu às críticas, mas sugeriu que seria mais prudente aguardar o relatório do chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed el Baradei, que chegou anteontem a Teerã para consultas. O subchefe do programa nuclear iraniano, Muhammad Saeedi, relatou à AIEA que a meta é colocar em funcionamento 3 mil centrífugas até o fim deste ano, chegando no futuro a 54 mil.

O presidente Mahmoud Ahmadinejad, desprezou as críticas. “Hoje (ontem) nossos inimigos estão irritados porque não conseguiram bloquear o caminho de nossa nação rumo à tecnologia nuclear”, disse o presidente. O Conselho de Segurança da ONU marcou para a próxima terça-feira em Moscou uma reunião de seus cinco membros permanentes e a Alemanha para discutir os últimos desdobramentos relativos ao Irã. No dia 29 de março o Conselho deu prazo de 30 dias à república islâmica que suspendesse todas as atividades de enriquecimento de urânio.

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