Durante mais de dez anos, Laurent Tirard manteve na revista francesa “Studio” uma coluna chamada “Leçons du Cinéma”, em que alguns dos maiores diretores em atividade expuseram de maneira didática suas idéias em torno do fazer cinematográfico. Vinte dessas entrevistas foram reunidas no livro “Grandes Diretores de Cinema”, uma leitura tão agradável quanto reveladora.
Tirard, de qualquer maneira, nunca teve a pretensão de refazer o percurso de Peter Bogdanovich e seu básico “Afinal, Quem Faz os Filmes?”, que traz exaustivas conversas com mestres como John Ford e Howard Hawks. A proposta aqui é bem mais modesta, mas com resultados interessantes. Como todas as entrevistas propõem, com pequenas variações, os mesmos temas, Tirard obtém um painel comparativo dos prazeres, aflições e métodos de diretores que têm algo a dizer, como Martin Scorsese, Pedro Almodóvar, David Lynch, Wong Kar-wai e Jean-Luc Godard, entre outros.
Duas questões se impõem ao longo da leitura: uma é interior aos depoimentos e está ligada à pedagogia da imagem (é possível ensinar cinema?); a outra é exterior e perpassa o conjunto das palavras dos cineastas (cada cineasta constrói um discurso a partir de seu trabalho). Quase todos são veementes ao defender que cinema não se aprende na escola ou, como diz Almodóvar, cinema “se aprende, mas não se ensina”, e a diferença entre a técnica e o olhar. Cada cineasta fala da diferença de suas experiências com roteiros, produtores e atores. O problema do controle sobressai.