Vaticano - O Vaticano aproveitou a Sexta-Feira da Paixão, ontem, para voltar a atacar duramente o best-seller “O Código Da Vinci” e o filme sobre o livro. E no dia anterior, em sua primeira cerimônia de lava-pés o papa Bento XVI aproveitou para criticar a idéia contida no manuscrito chamado de “Evangelho de Judas”, apresentado há uma semana.
Segundo o esse documento, Jesus Cristo pediu a Judas para ser traído, o que lhe permitiria completar sua missão de evangelização. Judas seria assim um confidente de Jesus, não um traidor.
Na cerimônia, Bento XVI definiu Judas como “mentiroso”. Usou-o como exemplo para condenar a auto-suficiência do homem atual, que se deixa conquista pelo poder e pelo dinheiro. “O que faz o homem imundo? É rejeitar o amor. É a arrogância de achar que não precisa de purificação alguma, que se fecha a bondade salvadora de Jesus.”
Em cerimônia da Sexta-Feira da Paixão, na presença do papa, o padre franciscano Raniero Cantalamessa, pregador oficial do Vaticano e membro da Renovação Carismática, redobrou os ataques a “O Código Da Vinci”, embora sem citá-lo. O ato confirma seu enorme sucesso e o grau de irritação que provoca no Vaticano.
“Cristo continua sendo vendido, mas não mais por apenas 30 moedas”, afirmou Cantalamessa, “mas por editores e vendedores de livros por bilhões de moedas.” “Hoje há uma fascinação para cada nova teoria em que Cristo não foi crucificado, que não morreu, que fugiu com Maria Madalena.”
Ontem à noite, o papa conduziu a procissão da Via-Crúcis, ao redor das ruínas do Coliseu, em Roma. Hoje, ele realiza a missa de Sábado de Aleluia. Amanhã, além de celebrar a Páscoa no Vaticano, Bento XVI comemorará seu aniversário de 79 anos.