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Dr. Automóvel: Cuidados na instalação de som

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 3 min

A maioria dos carros vem de fábrica com sistema de som instalado ou, pelo menos, preparado para ser instalado. Isto quer dizer que há chicotes, fios, conectores e fusíveis já colocados e dimensionados para uma determinada instalação padrão. O aparelho de rádio/toca fitas/CD player, assim como os alto-falantes, a serem usados devem ser compatíveis com o sistema padrão do veículo.

Em preparações de som mais pesadas, usam-se amplificadores de potência para aumentar o volume de som dentro do habitáculo. Caixas de som pesadas serão instaladas no porta-malas para reforçar os graves e tweeters estrategicamente distribuídos para os agudos, juntamente com os alto-falantes para os médios, todos igualmente escolhidos para suportar a nova potência do sistema. Alguns sistemas de ponta atingem mais de 1500W de potência, outros nem tanto, mas mesmo assim geram um som “pancadão”. Tudo muito bom, para quem gosta. Mas e o carro, como fica?

O sistema original, via de regra, foi dimensionado para um aparelho de som com no máximo 35 a 50W por canal, usando a bateria de 12V original do veículo. Assim sendo, a bitola dos fios respeitam esta potência original e não precisam ser maiores do que o necessário por uma questão de custo de produção. Se colocarmos um amplificador muito grande, teremos que redimensionar o chicote, com fios com bitola adequada para esta nova potência.

Caso contrário, o calor gerado pela corrente elevada que passará pelos fios poderá ocasionar um curto-circuito no sistema e até mesmo um incêndio, pois os fios podem derreter e o chicote passa por meio de carpetes, plásticos e tapeçaria do veículo. Os conectores também precisam ser muito bem encaixados e firmes, para evitar mau contato e as conseqüentes gerações de calor e perdas de qualidade de som.

Corrigido o chicote, temos de adequar os fusíveis do sistema para as novas solicitações de energia. Nunca se deve colocar um fusível de capacidade grande demais, que seria o mesmo que estar fazendo uma ligação direta, nem eliminá-lo de vez. Deve-se calcular a nova demanda de potência do sistema e adequar o fusível para sua proteção.

Feito isso, voltamos à fonte de energia que fará tudo funcionar. Em sistemas de som muito pesados, recomenda-se a troca de bateria e, eventualmente, até do alternador por modelos de maior capacidade. Isto porque o sistema drenará mais rapidamente a energia da bateria, que também aciona todos os sistemas elétricos do carro. Daí ela necessitar de uma capacidade maior de armazenagem. Da mesma forma, precisará ser recuperada mais rapidamente, necessitando de um alternador maior.

O maior esforço do alternador em recarregar a bateria retirará mais potência do motor, diminuindo o desempenho e aumentando o consumo. Mas como tudo é um compromisso entre as partes, deve-se escolher o melhor custo-benefício e mandar ver no “sonzão”, mas com responsabilidade e critério técnico para não ficar na rua...

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CORREIO TÉCNICO

Quando sei que o motor de um carro está na hora de ser retificado?

Os sintomas são típicos: o motor perde potência e faz muito mais barulho do que o normal - não do escapamento, mas como de batidas internas devido às folgas exageradas das peças desgastadas (bronzinas, casquilhos, bielas, virabrequim, anéis e pistões) -, além de consumir muito óleo e soltar fumaça azulada pelo escapamento em retomadas e acelerações. O motor também fica difícil de pegar quando frio, pois a compressão é menor devido às folgas nos anéis, e tem funcionamento irregular e trepidante quando quente.

Álvaro José, Bauru (SP)

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

*Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em Administração Industrial e Marketing e Engenharia Aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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