Campo Grande - Aumentou a tensão entre índios acampados e fazendeiros em Antônio João (MS), na região próxima à fronteira com o Paraguai, com os dois grupos dizendo que estão recebendo ameaças de morte. Em janeiro passado, a Anistia Internacional criticou o País pelo conflito.
A fazendeira Roseli Ruiz da Silva afirmou na última sexta que dois empregados seus - Laudelino da Silva, 61 anos, e Joana Brites, 40 anos - foram amarrados por dois índios que roubaram roupas e comida na fazenda Barra, de sua propriedade. “Nós não vamos permitir que eles venham nos atacar. Não vamos ficar quietos”, afirmou Silva, que em fevereiro de 2005 driblou em Campo Grande os seguranças do presidente Lula para entregar a ele uma carta sobre o conflito com índios.
Cerca 370 índios, guaranis e caiuás, estão acampados às margens de uma estrada estadual de acesso a fazendas. Eles foram retirados de três propriedades em dezembro pela Polícia Federal, que cumpria ordem judicial. Acampadas em barracos de lona, crianças adoeceram. Ao menos 27 estão desnutridas. Seis morreram.
A situação levou a Anistia Internacional a emitir um comunicado no qual acusou o governo brasileiro de fracassar na proteção ao direito dos índios. No fim do ano passado, após a desocupação das fazendas, o índio Dorvalino Rocha, 39 anos, foi morto com um tiro por um dos seguranças da fazenda. Silva diz que na semana passada foi ameaçada pelo capitão (líder indígena) Loretito Fernandes Vilalba. Na versão índios, os acampados sofrem ameaças de morte de seguranças das fazendas.
Outro fato que levou ao aumento da tensão foram os assassinatos de dois policiais civis num acampamento de índios, também caiuás e guarani, em Dourados (MS), no início do mês.