No dia 16 de abril de 1928, partiu do Rio de Janeiro a “Expedição Brasileira da Estrada Panamericana”. Comandava-a o então tenente do exercito Leônidas Borges de Oliveira, nascido em Descalvado. Seguiram sob suas ordens os srs. Francisco Lopes da Cruz, como observador, e Mario Fava, natural de Bariri, como mecânico.
Em dois automóveis Ford Modelo T, esses brasileiros tinham como missão descobrir, abrir e projetar a rota onde, depois, seria construída, em condições ideais, uma rodovia que interligasse os países das três Américas. A iniciativa, extremamente arrojada, logrou pleno êxito, constituindo-se em façanha poucas vezes registrada na história do automobilismo mundial.
Durante dez anos, a expedição percorreu 26.000 quilômetros de estradas, picadas, caminhos, matagais e florestas de quinze países. É fácil imaginar as dificuldades de toda a espécie enfrentadas e dominadas pelos expedicionários. Foram cruzadas selvas centenárias, rios caudalosos e a temível Cordilheira dos Andes, isto tudo abrindo caminhos com picaretas, pás e dinamite. Mas apesar de todos os obstáculos, depois de dez anos de esforços sobre-humano, o trabalho completo de exploração da futura “Rodovia Panamericana” foi concluído.
Chegando a Detroit, foram recebidos pelo pioneiro da indústria automobilística Henry Ford, entre outros tantos nomes importantes. Em Washington, ponto final da expedição, receberam todas as honras pelo presidente Franklin D. Roosevelt.
De volta ao Brasil, submeteram o trabalho à consideração das autoridades, presidente Getúlio Vargas, ministro dr. Oswaldo Aranha, general Candido Rondon, etc. Os originais do projeto ficaram depositados no Ministério da Viação e Obras Públicas e as cópias enviadas a cada país por onde deveria passar a rodovia.
Até aqui a narrativa sumária do feito grandioso. Agora, a referencia à injustiça, a “Carretera Panamericana” hoje é uma realidade e nem mesmo no Brasil, pátria desses intrépidos expedicionários é reconhecido seu trabalho.
Depois de vários anos pesquisando e juntando documentos e fotos dessa viagem impressionante, penso que deveríamos buscar uma maneira de corrigir tamanha injustiça, divulgando o feito e colocando-os entre as personalidades e aventureiros do século, e dos grandes homens que ajudaram a construir e levar através das três Américas o nome do Brasil.
Neste domingo faz 78 (setenta e oito) anos a Expedição e poderia ser uma boa oportunidade de resgatar a memória do feito e homenagear nossos heróis. No site www.carreterapanamericana.com.br tem uma pequena amostra da grande façanha. (José Roberto Braga - RG 7.794.583 SSP/SP)