Arealva – A Campanha da Fraternidade deste ano, com o tema “Fraternidade e pessoas com deficiência”, tem um significado especial para a comunidade da Paróquia Santa Catarina de Alexandria, em Arealva (41 quilômetros de Bauru). Durante missa de abertura diocesana da campanha, no dia 5 de março, o bispo Dom Luiz Antônio Guedes aclamou João Caridi, 50 anos, como símbolo e exemplo para toda a Diocese de Bauru. Portador de síndrome de down, Caridi ocupa agora a função de ministro extraordinário da comunhão eucarística. Desde o dia 19 de março, passou a auxiliar o padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana, ficando responsável nas cerimônicas por levar os símbolos do corpo e o sangue de Jesus Cristo.
Fontana destaca que Caridi já está levando a comunhão a pessoas enfermas. Darci Giatti está impossibilitada de freqüentar a igreja devido a uma fratura e solicitou que Caridi lhe atendesse em casa. Ela é mãe de Marquinho, portador de síndrome de down que já faleceu e, ao saber da condição de Caridi, não hesitou em chamar os serviços do novo ministro da paróquia.
“Não tenho notícia de outro (deficiente) e a partir de agora teremos muitos”, comemora Fontana. Segundo o padre, na última quarta-feira à noite, foi celebrada a missa do Crisma na Catedral de Bauru, quando uma deficiente visual fez a primeira leitura da cerimônica em braile.
Caridi sempre acompanhou com sua família as atividades da paróquia. Desde a chegada do padre Fontana, há quatro anos, João começou a participar mais intensamente como coroinha - (acólito). De imediato se destacou aos olhos do pároco por sua capacidade e dedicação à Igreja. Caridi ganhou a confiança do padre sendo responsável por algumas atividades e funções. O deficiente colaborava nas festas da paróquia e nas ações pastorais da Vila Vicentina de Arealva.
Vivendo há muito tempo o lema “Levanta-te, vem para o meio!”, (Mc 3,3), a comunidade estampou o rosto de Caridi em camisetas para divulgar a Campanha da Fraternidade. Conhecendo a atuação de João na paróquia de Arealva, o bispo não teve dúvidas em autorizar a sua posse. O padre Fontana procedeu à preparação de Caridi para desempenhar a missão de, ministro. Para os familiares a escolha de Caridi como ministro foi motivo de especial alegria. “Isso fez com que a família se unisse ainda mais. Quem não participava muito na Igreja passou a vir com mais freqüência”, conta Ronaldo Caridi, sobrinho do novo ministro.
Na missa do dia 19 de março, amigos e parentes do novo ministro lotaram a igreja. O padre Fontana comentou sobre a nova condição de Caridi: “Talvez aqui alguns levem um susto e se perguntem: ‘será que pode? Será que é correto?’ Tudo o que ele fez até hoje, e muito bem, não foi questionado. Então, ele pode dizer para todos: o Corpo e o Sangue de Cristo”.
Depois da posse, os ritos e a oração eucarística, Caridi ministrou a comunhão pela primeira vez. Em seguida, foi homenageado por seus familiares. Em nome de todos, o sobrinho Alisson destacou a importância da iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em tratar da realidade das pessoas com deficiência e agradeceu ao padre Fontana e à comunidade. “O gesto concreto proposto pela CNBB já vem sendo feito aqui, não só com o João, mas com todas as pessoas com deficiência”, ressaltou. “Com a morte de sua mãe, Caridi ganhou todos os pais e mães de Arealva. Ele chegou até aqui com o carinho da família e desta comunidade. Para nós a existência de João nunca foi motivo de revolta ou reclamação. Sentimos muito orgulho dele.”
Também participou da missa parte da equipe diocesana da Campanha da Fraternidade. Francisco Nunes, o coordenador, citou a frase que está nas camisetas com o rosto de Caridi. “Uma Igreja que não tem pessoas com deficiência é uma Igreja mutilada. A nossa Igreja está completa porque assume que tem limitações. Eu vou voltar feliz porque a Campanha da Fraternidade está dando frutos. Esse testemunho vai chegar a toda a Diocese, ao Estado de São Paulo e, através do nosso relatório, vai à sede da CNBB em Brasília. Esperamos que todo o Brasil saiba, pois este é um testemunho de inserção. A Igreja deve ser profeta, anunciando a verdade e denunciando as injustiças. E a Campanha da Fraternidade é um grito em nossa sociedade, um instrumento de evangelização”, destacou ele.
Ao final da missa, João Caridi afirmou: “Eu estou muito feliz”.
Serviço
A arrecadação obtida com a venda das camisetas da Campanha da Fraternidade 2006 com a foto de João colabora com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Arealva. Outras informações na secretaria da Paróquia Santa Catarina de Alexandria pelo telefone (14) 3296-2244.