Os centros de convivência para jovens e idosos são uma das carências de Bauru no setor da assistência social. A avaliação é de Egli Muniz, secretária do bem-estar social, Egli Muniz. Professora e diretora da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE) e doutora em serviço social, ela avalia que os cursos de geração de renda ou de inclusão produtiva também precisaram ampliar o número de vagas. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Jornal da Cidade.
Jornal da Cidade – Na sua opinião, quais as maiores demandas existentes no que diz respeito à assistência social em Bauru?
Egli Muniz – Faltam centros de convivência para jovens e adultos no município. Esta seria uma das prevenções para que menos pessoas precisassem das entidades. Os cursos de geração de renda ou de inclusão produtiva também precisariam crescer cerca de 30% a cada ano.
JC – Há um crescimento no índice de pessoas que vivem na linha da pobreza em Bauru?
Muniz – Acredito que não. O problema é que há muitas demandas reprimidas, de pessoas que não foram atendidas por políticas públicas assistenciais no passado. No entanto, estamos caminhando para atender estas demandas.
JC – Quais os principais objetivos dos projetos socioassistenciais?
Muniz – Trabalhar na prevenção e na emancipação do cidadão. Por isso são tão fundamentais os centros de convivência e os cursos de inclusão produtiva. Mas os projetos também visam atender pessoas que sofreram violência doméstica, dependentes químicos e pessoas que estão, de certa forma, excluídas do convívio familiar.
JC – O que guia as políticas públicas de assistência social no município?
Muniz – A grande orientação nos é dada pela política nacional de assistência social, através de conferências. Mas fazemos um planejamento plurianual e um plano de metas anual, que são submetidos à aprovação do Conselho Municipal da Assistência Social. No tocante a crianças e adolescentes, também submetemos os projetos à aprovação ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
JC – O que a profissionalização das entidades representa?
Muniz – Representa uma melhoria qualitativa dos serviços prestados. Com esta profissionalização tivemos um aumento significativo na contratação de profissionais pelas entidades e um serviço melhor estruturado.
JC – Como é a fiscalização dos serviços prestados pelas entidades?
Muniz – Há um monitoramento, um acompanhamento dos trabalhos, tendo em vista o cumprimento dos termos de parceria que firmamos com as entidades. Repassamos os recursos para as entidades executarem determinados serviços e acompanhamos a execução dos trabalhos. Não é uma fiscalização, é muito mais no sentido de apoiar e orientar a entidade.
JC – A promoção da assistência social cabe ao poder público, às entidades ou à sociedade civil?
Muniz – Na minha opinião cabe ao Estado apresentar propostas, definir a direção, organizar e monitorar a rede de assistência social, mas cabe à sociedade civil, através dos conselhos e das entidades, aprovar e apontar demandas. Podemos não estar enxergando determinada demanda e a sociedade civil pode auxiliar neste sentido.