As entidades socioassistenciais são repletas de pessoas com histórias de vida complexas. Pessoas que poderiam ter tomado rumos bem diferentes caso não tivessem sido assistidas no passado. Marcos Roberto Vieira, 20 anos, morador do Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima, começou a participar das atividades da Casa da Esperança (Caespe) quando tinha 10 anos. No local, fez cursos de eletricista e panificação. Gostou tanto que virou voluntário. “Tinha vontade de ajudar outras crianças que, assim como eu, tiveram poucas oportunidades”, afirma.
Certo dia, surgiu uma vaga para o serviço de panificação na entidade. Vieira foi contratado e permanece no posto até hoje. Para ilustrar como seu futuro poderia ter sido diferente, ele recorda algumas coisas do tempo em que não estava na entidade. “Lembro de um Dia das Crianças em que voluntários vieram entregar brinquedos no bairro, mas não tinha para todo mundo. Então, eu e alguns amigos invadimos a perua (Kombi) e pegamos os brinquedos”, conta.
Hoje, Vieira tem primos assistidos pela entidade e fala com orgulho do seu trabalho e da vontade de permanecer trabalhando no local. “Por mim fico aqui até o fim da vida, ajudando outras pessoas. Espero que todas estas crianças que estão aqui tenham uma vida boa como a que a Casa da Esperança me proporcionou”, salienta.
Cléber Willians Ferreira, 18 anos, também morador do Fortunato Rocha Lima, comenta que começou a participar das atividades da Caespe há seis anos. Na entidade fez cursos de dança, cabeleireiro e artesanato. Hoje ele trabalha como voluntário, entretendo as crianças e ensinando aos pequenos os passos que ele aprendeu no passado. “Se eu não estivesse aqui? Talvez iria estar na rua, fazendo alguma bobagem. Adoro crianças e fico muito satisfeito em poder ajudar”, explica.