Rápido. Inteligente. Dócil. Companheiro. É por causa dessas qualidades que muita criança se encanta com o coelho. Nesta época do ano o animal invade cartazes, anúncios de jornal e televisão e ilustra um monte de ovos de Páscoa, considerada uma das datas mais importantes da Igreja Católica e da qual é um dos principais símbolos. E é aí que pinta a idéia de ter um deles em casa.
“O coelho é um animal bastante indicado para o convívio com crianças, mas é preciso ter um ambiente adequado para criá-lo e conhecer as suas características”, alerta a veterinária Luciana Fernandes de Oliveira, especialista em animais silvestres.
Por desconhecimento dessas características e ‘incentivados’ pelo apelo da data e pelo custo acessível (um filhote pode ser encontrado a R$ 5,00), muitos pais acabam comprando um coelho para seus filhos. O resultado é que o entusiasmo cede lugar à falta de interesse e muitos animais acabam sendo abandonados no dia de Páscoa ou logo depois da data.
Esse é o caso de Mickey, um coelho curioso que foi encontrado num domingo de Páscoa pela fonoaudióloga Roberta Simonetti e hoje é um dos clientes de Luciana e sua sócia, Thais Helena Desjardins Bergonso, veterinária também especializada em animais silvestre.
Apesar da história trágica inicial, Mickey pode ser considerado um sortudo, pois sua proprietária é cuidadosa e carinhosa. “Ela não descuida dele, que passa por consulta veterinária a cada 15 dias”, conta Luciana.
Freqüentar o veterinário e comer ração própria (comprada em sacos fechados) são alguns dos cuidados recomendados pelas veterinárias para se ter um coelho em casa. Outros envolvem manter o ambiente limpo, com casa ou gaiola dispostas em local coberto, e deixá-lo a maior parte do tempo solto.
Também é preciso distanciar o local onde ele come e o espaço onde ele faz xixi e cocô, por higiene e respeito ao animal. “Com treino desde pequeno, ele pode se acostumar a fazer as necessidades num único lugar ou sobre jornal”, afirma Luciana.
Aliás, o coelho pode aprender muita coisa em razão de suas aguçadas inteligência e audição. A estudante Maria Luisa Barros Rodrigues, 15 anos, aprendeu isso na prática. Ela tem um coelho de 9 anos que é capaz de reconhecer a voz de cada um dos membros de sua família, além de brincar bastante com a bola.
“Gosto de coelho porque ele é quieto e fácil de cuidar”, diz Maria Luisa. Sua mãe, a advogada Mônica Diniz de Barros Rodrigues, já chegou a ter 20 coelhos quando morava em Avaré. “Gosto demais do nosso coelho. Por conta de conhecer a gente, gostar de ficar próximo da família e brincar com a bola, costumamos compará-lo a um cachorro. Brincamos chamando-o de ‘cãoelho’”, diz Mônica.
Para Mônica, os coelhos fazem parte da história da família. “Tenho certeza que eles serão uma lembrança carinhosa da infância para minhas filhas”, afirma.
Mas os momentos de ternura despertadas pelo ‘cãoelho’ só foram possíveis porque Mônica e suas filhas Maria Luisa e Marina sempre foram atenciosas com o animal, tratando com o carinho, respeito e a higiene que eles merecem.