Saúde

Conheça os sintomas

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

No estresse, a predominância de sintomas é de caráter psicológico, destaca Edward Goulart Jr., doutor em psicologia e especialista em psicologia organizacional do trabalho “Ansiedade, irritabilidade e cansaço excessivos foram predominantes nas professoras”, diz. Em alguns casos, ressalta ele, pode ocorrer um quadro de sintomas físicos, como sensação de desgaste, tensão muscular e problemas com a memória.

Mas as relações do contexto escolar e relações de trabalho vivenciadas pelos professores em seu cotidiano só se transformam em fatores de estresse quando representam uma ameaça ao bem-estar e à auto-estima, causando desequilíbrio físico e emocional, enfatiza Goulart Jr. “Nem todos os estressores potenciais da escola afetam os professores da mesma maneira”, ressalta.

Para aliviar o estresse, as professoras Sandra Regina da Silva e Ana* apostam no aperfeiçoamento profissional e criatividade para deixar as aulas mais atrativas e, dessa forma, diminuir a indisciplina dos estudantes. “Estou fazendo cursos de capacitação para aprender novas metodologias de ensino”, diz Ana. “Hoje a criança mudou. Tenho de ficar ‘ligada’ em tudo o que acontece por meio da televisão e jornais e levo todas essas informações para a classe, tentando deixar as aulas mais atraentes. Levo livros, vídeos e atividades interessantes, que ajudam muito”, detalha Sandra.

Outra “tática” das professoras é não esquecer do lazer e investir nas relações pessoais. “Preparo todas as aulas em casa e a família até reclama um pouco, mas procuro dividir meu tempo. A família não pode ser deixada de lado”, observa Sandra. “A primeira coisa que tento fazer é me desligar do trabalho. Vou ao cinema, ‘barzinhos’, saio com amigos e família”, conta Ana.

Praticar exercícios físicos, como caminhadas, e uma alimentação balanceada - com frutas, verduras e legumes, além de água e sucos naturais - também são ótimos recursos para aliviar o estresse, explica Calais. “Evitar alguns ‘auxiliares’ de estresse, como café, chá mate ou preto e refrigerantes que contém cafeína ajudam.”

O termo estresse foi usado pela primeira vez na língua inglesa no século 17 para descrever aflição, opressão, sofrimento e adversidade, explica o doutor em psicologia e especialista em psicologia organizacional do trabalho Edward Goulart Jr. Ele é autor de uma pesquisa que buscou identificar a presença do estresse entre professores de primeira a quarta série do ensino fundamental de Bauru.

De acordo com Goulart Jr., o estresse é “um processo do organismo envolvendo aspectos bioquímicos, físicos e psicológicos que são desencadeados a partir da interpretação que o indivíduo dá aos estímulos internos e externos, os estressores”. Tais estímulos, prossegue ele, pode gerar um estado exagerado de tensão e a quebra do equilíbrio interno da pessoa, exigindo algum tipo de adaptação e gerando desgaste.

Origem

Existem quatro estágios de estresse, explica Sandra Leal Calais, doutora em psicologia e professora de terapia comportamental. Segundo ela, a primeira fase é a de alerta, na qual a pessoa identifica o estressor e se desdobra para conseguir vencer esse obstáculo. Passando esse nível, o indivíduo pode entrar no estágio de resistência, quando se identifica o estressor – que pode ser muito agudo –, mas não encontra formas de resolver o problema. A terceira fase, aponta Calais, é a de “quase exaustão”. “A pessoa ainda é produtiva, mas já não sabe mais o que a estressa.”

E por último, encontra-se no estágio de exaustão, onde se desenvolve as doenças. Aí a pessoa já não sabe o que aconteceu com ela e adoece. Alguns chamam esse processo de estafa e tiram licença do trabalho ou podem entram em estado de depressão”, detalha. Outra conseqüência do estresse é a Síndrome de Burnout, que é exclusivamente ligada ao trabalho e está atingindo diversos profissionais. “Quando uma pessoa tem uma condição de trabalho altamente estressora, podem perder completamente a motivação e desenvolver a síndrome.”.

Nem todas as pessoas, porém, são igualmente suscetíveis ao estresse, enfatiza o especialista. “Um mesmo evento estressor pode afetar acentuadamente um indivíduo e não ter impacto significativo em outro. São as vulnerabilidades físicas e psicológicas que determinarão à reação de cada um”, diz. Estágios avançados de estresse podem intensificar o surgimento de sintomas, tanto físicos quanto psicológicos, afetando o desempenho pessoal e profissional do indivíduo, bem como sua relações sociais.

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