O esgoto é um dos principais agentes poluidores do rio Tietê. Alcides Tadeu Braga, gerente da agência ambiental da Cetesb de Bauru, afirma que praticamente em toda a bacia Tietê-Jacaré, da qual o município de Bauru faz parte, a qualidade da água para abastecimento público é considerada de boa para regular. Mas o tratamento de esgoto é ponto essencial para melhoria da qualidade.
Com 96% de esgoto coletado e 0% tratado, Bauru, de acordo com Braga, é responsável por 25% da carga poluidora de toda a bacia do Tietê/Jacaré, que compreende 34 municípios.
Há anos o município está buscando meios para investir no tratamento de esgoto. De acordo com Braga, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente já aprovou licença para estação de tratamento de esgoto, ainda sem êxito.
Apesar de muitos municípios dos 109 que integram as bacias do Baixo Tietê, Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha não tratarem esgoto, a exemplo de Bauru, o índice é maior do que nas outras bacias: chega a 75%.
A Cetesb classificou as águas do rio Tietê na região noroeste paulista, fundamentalmente as do Baixo Tietê, como as melhores águas do estado de São Paulo. A diretoria de Bacia do Baixo Tietê com o apoio dos três comitês de bacia (Baixo Tietê, Tietê-Jacaré e Tietê-Batalha), segundo o diretor Lupércio Ziroldo Antônio, vem trabalhando, nos últimos 10 anos, na melhoria da qualidade das águas. A principal intervenção é no tratamento de esgoto com implantação de emissários, interceptores e estações de tratamento.
Lupércio Ziroldo afirma que nos últimos 25 anos o índice de tratamento de esgoto dos 109 municípios que compreendem as três bacias passou de 12% (1982) para aproximadamente 75% (2006). “Há também um grande número de ações realizadas para o controle, combate e prevenção à erosão urbana e rural, com obras de drenagem, combate à voçoroca, obras de desassoreamento em cursos d’água, entre outras”.
O secretário executivo do comitê da bacia do Piracicaba-Capívari-Jundiaí, engenheiro Luiz Roberto Moretti, afirma que na bacia, os efluentes domésticos suplantam os industriais. Dos 57 municípios que formam a bacia, apenas 30% têm esgoto tratado.
A ação para melhorar a qualidade da água da bacia é o investimento no tratamento de esgoto. Este ano, segundo Moretti, o comitê iniciou a cobrança do uso das águas dos rios da bacia. A previsão é arrecadar R$ 11 milhões. “Grande parte desta verba será revertida para a construção de estações de tratamento de esgoto”, afirma.