Política

Paralisação reduz atendimento e sobrecarrega saúde

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 4 min

Com adesão de 32 médicos da rede municipal e 76 funcionários de base da área da saúde, a greve dos servidores de Bauru completou ontem duas semanas, sendo o setor de atendimento à população o mais prejudicado. Ontem, 10 das 21 unidades de saúde tiveram médicos e funcionários aderindo ao movimento grevista. Em três delas – do Jardim Bela Vista, Santa Edwirges e Parque Vista Alegre – a adesão foi total e o atendimento à população foi interrompido. As unidades não fecharam as portas, mas apenas funcionários da chefia permaneciam dentro das unidades. Em alguns casos, as consultas médicas foram remarcadas. Em outros, somente após o fim da greve é que os pacientes saberão quando serão atendidos.

Com o movimento, os postos de saúde ficaram praticamente vazios e os Pronto-Socorros (PS) ganham sobrecarga. As filas no PS Central e Bela Vista se intensificaram ontem. Neste último, apenas o atendimento de urgência e emergência foi mantido, mas foram suspensas as consultas com clínico geral, ginecologista e pediatra pela manhã.

Depois de muita insistência e espera, Maria de Fátima Diniz conseguiu que o filho portador de necessidades especiais fosse consultado no setor de urgência do PS Bela Vista. Mas ela não ficou satisfeita. “O médico nem olhou os exames que trouxe. Meu filho tem fortes dores de cabeça e não recebeu receita médica para medicamentos”, diz a mãe. Ela conta que, a princípio, a consulta seria remarcada para a próxima semana. “Meu filho não podia esperar. Mesmo assim, não sei o que faço porque ele continua com dores. Terei que levá-lo de volta para a casa”, preocupa-se.

O posto de saúde do Parque Vista Alegre estava sem pacientes na manhã de ontem. Os funcionários aproveitaram o dia “de folga” para lavar as salas e a fachada da unidade. No núcleo da Vila São Paulo, apenas um médico não aderiu à greve: os outros cinco não atenderam os pacientes ontem. No núcleo de saúde Gasparini, a enfermeira responsável pela unidade, Adriana Aparecida dos Santos, informou que todos os médicos aderiram ao movimento. Apenas o atendimento de enfermagem – vacina, medição de pressão arterial e pesagem de crianças – foi mantido ontem. “Os pacientes que conseguiram marcar para os próximos 15 dias, dependendo da especialidade, terão as consultas remarcadas. Para os demais, pedimos que acompanhem a greve pela mídia e só depois do fim procurem o posto de saúde”, diz.

No PS Central, quatro médicos aderiram à paralisação, junto com outros três do Pronto-Atendimento Infantil (PAI). Neste último, apenas um médico plantonista atendeu na manhã de ontem. Os pacientes precisaram esperar mais de 4 horas para serem assistidos. Rosana Aparecida da Silva de Oliveira foi uma delas. Com suspeita de alergia na pele, ela levou o filho para atendimento de emergência. “Ele veio fazer um exame, mas não foi possível por causa da greve. Vou aguardar o atendimento com o médico porque ele não agüenta mais o ‘grosseirão’ na pele”, diz Oliveira.

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Secretaria reage

Segundo o diretor interino da Secretaria Municipal de Saúde, Mário Ramos, o número de médicos “parados” representa pouco menos de 15% do total (223) contratado para trabalhar na rede municipal. Mas, medidas para diminuir os transtornos na saúde foram tomadas ontem.

Pela manhã, os diretores dos departamentos foram convocados para uma reunião na Secretaria Municipal de Saúde. “Pelo menos quatro médicos que estavam de férias foram convocados para retornar ao trabalho e a escala de horários foi remanejada para possibilitar mais atendimentos de urgência e emergência à população”, disse Ramos. A Corregedoria da prefeitura também foi acionada para a verificação da chamada “operação tartaruga” no atendimento que estava sendo realizado.

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Contas da mobilização

Uma das diretoras do sindicato, Idelma Corral, estimou que aproximadamente 1.000 servidores já estavam participando das ações grevistas ontem, o que representaria 20% do quadro da gestão direta. “Passamos a madrugada (de domingo para segunda) convocando os servidores. Estivemos em mais ou menos 18 locais”, afirmou Corral.

Mas para a administração municipal, no entanto, a adesão dos funcionários foi de 7,4% ontem. No período da tarde, os servidores fizeram passeata até a Câmara Municipal, onde realizaram ato público.

Os funcionários da cozinha do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) continuam parados e, diariamente, são compradas 1.100 refeições pela administração municipal.

Funcionários da Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano (Emdurb) e do Departamento de Água e Esgoto (DAE) não haviam aderido ao movimento até ontem, segundo a prefeitura. Na Secretaria Municipal de Educação, 12 funcionários de cinco escolas do ensino fundamental pararam, mas nesses unidades as atividades foram mantidas. Duas escolas do ensino infantil estão paradas (Felix Aparecido Costa e Chapeuzinho Vermelho). No total, 213 servidores estavam parados ontem, neste segmento.

As secretarias das Administrações Regionais (Sear) e do Meio Ambiente (Semma) possuem, cada uma, 15 funcionários em greve. Na Secretaria de Obras, 33 estavam parados ontem – a maioria da divisão de construção.

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