Agudos - O anúncio feito anteontem (quarta-feira) pelo ex-presidente Itamar Franco sobre sua disposição em disputar a indicação do partido para voltar ao Palácio do Planalto foi recebido com muita desconfiança pelo prefeito de Agudos, José Carlos Octaviani (PMDB).
Na opinião dele, se Itamar estivesse mesmo a fim de concorrer teria anunciado sua intenção há mais tempo. “Quem planeja ser presidente da República não vai dizer isso a apenas cinco meses da eleição”, diz. “Entendo que é mais um jogo do Quércia em favor do PT”, acusa Octaviani, referindo-se ao presidente estadual do partido e ex-governador, Orestes Quércia.
O prefeito não se conforma com o fato do partido ainda não ter acatado o resultado das prévias realizada no mês passado e que apontou a vitória do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, como candidato a presidente. O ex-governador conta com o apoio de Octaviani.
A relutância do partido, especialmente do grupo ligado a Quércia, em aceitar o nome de Garotinho como candidato tem irritado o prefeito. Primeiro, foi a tentativa de emplacar o nome do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. Agora, com o lançamento de Itamar Franco.
Para Octaviani, na verdade, o que a ala governista do partido quer é enfraquecer as candidaturas para depois anunciar apoio ao PT. Segundo ele, Quércia está “negociando” o partido. “Ele se beneficiou do governo, com empréstimos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e do BNDES em favor de suas empresas. Eu acho que é para dar continuidade a isso que ele está vendendo o partido”, afirma.
Segundo ele, a não-aceitação do resultado das prévias tem provocado a ira de boa parte dos convencionais paulistas. Entre os quais figura o prefeito de Agudos.
Para o coordenador regional do PMDB, Alex Gasparini, a definição sobre o candidato do partido para disputar as eleições presidenciais deste ano deve ocorrer até o fim de maio. Segundo ele, é quase certo que o partido terá candidato próprio, ao contrário do que pensa Octaviani.