Tribuna do Leitor

Resposta ao senhor brasileiro e honesto


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Mesmo não concordando com a maioria das atitudes do governo de Luiz Inácio, no aspecto da revisão de aposentadorias e pensões dos perseguidos políticos durante o regime militar, seu governo cumpre a lei elaborada no ocaso do governo FHC. Os “beneficiados” pela lei não são apenas os guerrilheiros do Araguaia, cujo total não ultrapassa as sete dezenas. Falar que são 57.000 ex-guerrilheiros do Araguaia é falsear com a verdade ou demonstrar falta de conhecimento histórico. Não vou discutir o mérito do Golpe Militar de 1º de Abril de 1964, os pretensos ideais de que estavam imbuídos seus líderes e sim a forma como foi realizada a perseguição por todo o Brasil. Em nossa cidade mesmo, o senhor Silvio Marques Júnior, criador da FAC – Frente Anticomunista – implantou verdadeira caça às bruxas e todos aqueles que com ele tiveram divergências profissionais ou acadêmicas foram transformados, no papel, em perigosos comunistas, sendo presos e demitidos de seus empregos.

Hermes Valente, chefe de trem aposentado e presidente de uma entidade que congregava ferroviários aposentados, em um tacanho decreto do então governador Adhemar Pereira de Barros, no artigo 1º foi chamado de volta ao trabalho, por imperiosa necessidade e no artigo 2º, foi demitido do serviço público.

Outros, como meu falecido pai, foram demitidos do serviço público quando faltavam poucos dias para serem aposentados. Este povo reivindica o restabelecimento de seus direitos e com toda a razão. Afinal, foram punidos por delações de pessoas que queriam “fabricar” comunistas e que no próprio regime militar acabaram igualmente sendo punidos com acusações ainda piores. Os “defensores” da ordem, que mandavam inocentes para a cadeia ou forçavam suas demissões com relatórios forjados e conseqüentemente mentirosos, acabaram sendo acusados de aliciadores de menores e achacadores.

Sempre defendi o dialogo como o melhor meio para a superação de divergências e mesmo assim não discordo daqueles que ousaram adentrar as matas do Araguaia, em busca da sobrevivência e da liberdade. Jaime Petit, um dos guerrilheiros, estava condenado a três anos de cadeia pelo hediondo crime de ter participado do Congresso da UNE em Ibiúna e sua ida para o campo de treinamento do PC do B foi na esperança de escapar da prisão. Pelo que li, sobre a luta destes jovens, tenho a absoluta certeza de que se contassem com um exército de 57 mil homens teriam sido vitoriosos no confronto com as ditas forças legalistas e a história do nosso país seria contada de forma diferente. Aliás, nem precisaria tanto. Lógico que respeito, em nome da democracia arduamente conquistada, o direito de achar que os militantes políticos que pugnavam pela democracia em nossa pátria eram baderneiros. E aqueles que tiveram seus direitos solapados, os querem de volta. Questão de honestidade.

Respeito a míope visão, todavia, não concordarei jamais.

Antonio Pedroso Júnior - e-mail chineloneles@hotmail.com

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