Política

Conselho Municipal de Saúde avalia prejuízos da paralisação

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A adesão dos médicos à greve dos servidores municipais aumentou de 32 para 34 profissionais, sendo 12 do atendimento de urgência e emergência e 22 das unidades básicas, ontem, enquanto representantes do Conselho Municipal de Saúde percorreram os locais de atendimento para avaliar que medidas devem ser adotadas em razão dos prejuízos causados à população.

Membros do conselho estão percorrendo as unidades para verificar o impacto da greve no atendimento. “Os conselheiros vão circular pelos postos para tomar conhecimento da situação. A partir disso vamos tomar uma atitude”, conta Cláudio da Silva Gomes, presidente do órgão.

Ontem à tarde, o movimento foi intenso no Pronto-Socorro (PS) Central, com muita reclamação por parte dos usuários, que se queixavam da demora no atendimento. A auxiliar de enfermagem Iraci Batista da Silva afirmou que os servidores que não aderiram à greve estavam “fazendo corpo mole” para atender os pacientes. “É muito desrespeito. Já não tinha o atendimento necessário, com a greve ficou bem pior”, disse.

Ela afirmou que muitas pessoas estavam havia mais de quatro horas esperando para ser atendidas. “Eu vim de manhã e desisti, mas tem gente que estava aqui quando eu fui embora e continua na fila”, afirmou.

No Pronto-Atendimento Infantil (PAI), a situação não era diferente. Muitas mães aguardavam atendimento em pé, pois não havia sequer lugar para sentar devido ao movimento.

Às 16h, a dona de casa Fátima Lopes, já estava desistindo de esperar por atendimento para a neta que, segundo ela, passou mal durante a noite. “Estamos aqui desde o meio-dia e nada. Ninguém dá satisfação, e a gente fica esperando esse tempo todo”, disse.

A dona de casa Tatiane Brasil levou os filhos ao PAI, na expectativa de passar os filhos, que estavam com febre, pelo médico. “Me disseram que estão passando os casos mais urgentes na frente”, disse.

Na Bela Vista, o movimento era bem menor na tarde de ontem, mas segundo funcionários apenas um médico estava atendendo.

Já no núcleo de saúde Gasparini, nenhum médico foi trabalhar e os poucos funcionários que não aderiram ao movimento tiveram dificuldades para atender os pacientes na parte da manhã. À tarde a movimentação foi menor, e as auxiliares de enfermagem tentavam colocar as fichas dos pacientes em ordem. “Ninguém da parte burocrática veio trabalhar”, disse a funcionária.

O secretário interino da Saúde, Mário Ramos, foi procurado para comentar a situação nos Pronto Socorros e nas unidades básicas, mas não retornou aos telefonemas.

Sem reunião

A administração negou, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, que vai se reunir em separado com os médicos grevistas para negociar. O Jornal da Cidade recebeu a informação de que os médicos se reuniriam com o prefeito Tuga Angerami (PDT), na Casa dos Médicos, hoje, às 20h,

De acordo com a assessoria, o que houve foi o pedido do vereador Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) para que o prefeito se reunisse com um grupo de quatro profissionais, mas como o parlamentar sofreu um acidente e está internado, a reunião foi cancelada.

Além do impasse nas negociações, há divergência também nos números de funcionários públicos municipais em greve, divulgados pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) e pela prefeitura.

De acordo com o sindicato, a adesão ao movimento está crescendo e o número de servidores em greve já passa de 1.000. Já a prefeitura divulgou que 7,7% dos servidores estavam parados ontem. Em nota oficial, a administração divulgou que 380 funcionários não trabalharam.

A maior adesão é na Educação, com 216 funcionários em greve. A Saúde vem em seguida com 87 grevistas. Na Secretaria de Obras, 34 servidores aderiram ao movimento, enquanto a secretaria das Administrações Regionais (Sear) e Meio Ambiente (Semma) tiveram a adesão de 16 funcionários cada.

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