Tel Aviv - O governo israelense decidiu não lançar uma operação militar de grande escala em retaliação ao atentado suicida que matou nove pessoas em uma lanchonete de Tel Aviv anteontem, embora tenha voltado a responsabilizar o governo palestino, chefiado pelo grupo terrorista Hamas. O comedimento foi a linha de ação adotada pelo premiê em exercício, Ehud Olmert, após reunir-se com os chefes dos órgãos de segurança.
“Olmert ouviu as idéias de possíveis ataques contra a Autoridade (Nacional) Palestina e, embora o governo (palestino) seja responsável, a decisão foi que deve haver ação limitada por enquanto”, disse um assessor do governo ao jornal “Haaretz”.
Entre as medidas de retaliação ao pior atentado em Israel em 20 meses adotadas anteontem está a revogação do status de residência em Jerusalém Oriental de três dirigentes do Hamas. Fontes do governo informaram à imprensa israelense que também estão previstas prisões e execuções seletivas de líderes do Jihad Islâmico no norte da Cisjordânia, onde morava o homem-bomba que explodiu em Tel Aviv.
A decisão de evitar uma ação militar maciça contra a Autoridade Nacional Palestina é resultado da conclusão de Olmert de que a pressão política e econômica da comunidade internacional que o Hamas vem sofrendo é mais produtiva para o país no momento, disse Gideon Meir, diplomata israelense. Uma das decisões tomadas anteontem, segundo Meir, foi declarar a ANP “entidade inimiga”, por sua defesa do atentado de segunda, o primeiro cometido em Israel após a eleição do Hamas.
Estados Unidos e União Européia suspenderam a ajuda financeira ao governo palestino após a posse do Hamas. Na contramão, a Rússia anunciou anteontem que enviará US$ 10 milhões à ANP. Mesmo sob a liderança de Ariel Sharon, que saiu de cena em janeiro do ano passado após sofrer um derrame, Israel vinha evitando uma escalada militar quando era atacado por terroristas, preferindo operações pontuais contra líderes radicais.
Na avaliação de David Schenker, especialista em segurança e assuntos árabes do Instituto de Estratégia do Oriente Médio, em Washington, Olmert seguirá os passos do antecessor. “Acredito que ele adotará duas linhas de ação paralelas: pequenas operações militares contra alvos terroristas em Gaza e a continuação de seu plano de separação dos palestinos, que foi a base de sua campanha eleitoral”, disse Schenker, por telefone.
Schenker concorda que Israel teria pouco a ganhar com uma grande ofensiva militar num momento em que tem a simpatia de grande parte da opinião pública mundial por conta do extremismo iraniano e da defesa do terrorismo feita pelo Hamas. Para o analista Efraim Inbar, da Universidade Bar Ilan, o comedimento de Olmert também está ligado ao fato de ele estar no meio de negociações para formar seu gabinete.
À frente do Kadima, partido de centro fundado no fim do ano passado por Sharon, ele venceu as eleições realizadas no mês passado e agora corteja partidos mais à esquerda no espectro político. “Olmert quer uma coalizão com o Partido Trabalhista e não ajuda escalar a situação”, disse Inbar.
O suicida que matou nove pessoas em Tel Aviv pode ter sido o mais jovem terrorista a se explodir em Israel até ontem. Identificado como Samer Salim Hamad pelo Jihad Islâmico, ele não tinha 18 ou 21 anos, como chegou a ser anunciado, mas 16. Meninos de 14 e 15 anos já foram presos com explosivos por Israel, mas Hamad está sendo considerado o mais jovem palestino a conseguir completar uma missão suicida.