Internacional

Bush: toda opção para impedir Teerã de fazer bomba é possível

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - Indagado se pretendia bombardear o Irã com ogivas nucleares, George W. Bush afirmou ontem que “todas as opções estão sobre a mesa” para impedir que aquele país produza armas atômicas. Disse, no entanto, que continua empenhado na opção diplomática para forçar os iranianos a abandonar essa ambição. “Queremos resolver essa questão diplomaticamente e estamos trabalhando com empenho para que isso aconteça”, declarou o presidente americano.

A expressão “todas as opções sobre a mesa” é uma forma eufêmica de não descartar a mais dura das alternativas militares, a do bombardeio nuclear do Irã. A hipótese de que isso aconteça de verdade foi levantada este mês pela revista “New Yorker”, que mencionou detalhes dos preparativos dessa operação. É também verossímil que, ao vazar tais informações, os Estados Unidos procurem primordialmente dissuadir o Irã a se radicalizar a tal ponto que a opção militar seja inevitável.

Bush insistiu na diplomacia no momento em que representantes dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU (Reino Unido, França, China, Rússia e os próprios Estados Unidos) chegavam a Moscou para discutir a questão iraniana. O Irã recebeu do CS um ultimato para cessar até o próximo dia 28 o enriquecimento de urânio. Mas declarações do primeiro escalão de seu governo, a começar do presidente Mahmoud Ahmadinejad, revelam inexistir uma perspectiva de recuo.

Ahmadinejad, pelo contrário, declarou ainda ontem que as Forças Armadas estão preparadas para defender o país, caso os ocidentais optem pela guerra. O Exército iraniano, afirmou, “cortará as mãos de qualquer agressor e fará com que ele lamente” o conflito desencadeado.

Os EUA, a França e o Reino Unido estão dispostos a adotar sanções caso prossiga a intransigência iraniana. Mas a Rússia e Pequim -com programas ambiciosos de investimentos no Irã - descartam essa alternativa.

O porta-voz da diplomacia russa, Mikhail Kamynin, disse que seu país “está convencido de que não é possível eliminar as preocupações da comunidade internacional sobre o programa nuclear iraniano por meio da força ou de sanções”. Quanto à China, o porta-voz da chancelaria Qin Gang disse ontem, em Pequim, que um enviado especial de seu país tentará convencer Teerã a fazer concessões.

Mas o Irã entrará na agenda do presidente chinês, Hu Jintao, que será recebido por Bush na quinta, na Casa Branca. Segundo o presidente americano, “o assunto iraniano será discutido’’ durante o encontro, por mais que analistas acreditem que a conversa terminará inconclusiva.

Comentários

Comentários