Cultura

Avant-première

Adriana Fricelli e Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Os bauruenses podem começar a contagem regressiva. Falta exatamente um mês para que as cinco novas salas de cinema do Bauru Shopping sejam abertas ao público. A inauguração, prevista para o dia 19 de maio, coloca a cidade no circuito nacional de lançamentos com a estréia do longa “O Código da Vinci”.

Como o JC adiantou com exclusividade em 10 de fevereiro, o novo complexo cinematográfico é um investimento conjunto do centro de lojas com a Cinematográfica Araújo, empresa com sede em Botucatu que já cuida das salas do Cine Center e do Cine Bauru, e que deve ultrapassar R$ 5 milhões. O projeto foi apresentado à imprensa em evento realizado ontem.

Serão cinco novas salas em formato stadium (estrutura de arquibancada, com degraus de cerca de 40 centímetros entre cada fila de poltronas), que estão sendo construídas sobre a nova ala do shopping, inaugurada no final do ano passado, localizada na entrada da rua Henrique Savi.

Com capacidade total para 1.300 lugares, quase cinco vezes mais do que o atual Cine Center comporta, o novo cinema terá aproximadamente 2.500 metros quadrados. Serão duas salas maiores, com 345 e 325 poltronas, duas intermediárias com 226 lugares e uma menor, com 197.

Os novos espaços foram construídos com destaque para a qualidade da imagem e do som e no conforto do público. “Se fôssemos construir no modelo antigo, aproveitaríamos 25% a mais do espaço. Mas optamos pelas poltronas mais confortáveis que existem no mercado, com 61 centímetros de largura, e com 1,20 metro de distância entre as fileiras”, explica o diretor proprietário da Cinematográfica Araújo, Marcos Araújo.

Outra novidade apontada pelo diretor é o espaço entre a primeira fila de poltronas e a tela de projeção. “Nos grandes cinemas, a distância costuma ser de quatro metros, aqui será de nove. Além disso, as telas (das salas maiores) terão mais de 100 metros quadrados, sendo que aqui (no Cine Center), a maior que temos é de 35 metros quadrados”.

Os gastos com equipamentos de imagem e som, estimados em R$ 1,3 mil, respondem a uma das prioridades dos investidores: a qualidade. “Quatro salas terão som digital 650 EX e uma sala contará com a tecnologia THX, desenvolvida pela empresa de George Lucas. Será o sétimo cinema no País com esse recurso”, diz Araújo.

As edificações também foram projetadas para garantir maior qualidade acústica. Camadas de ar e dez centímetros de lã de rocha separam as paredes de gesso revestidas com madeira, para fornecer um melhor acabamento. Além disso, não haverá nenhuma ligação entre as arquibancadas de salas vizinhas, para evitar a passagem de som de um ambiente para outro.

Entre as salas, um espaço de 800 metros quadrados contará com uma bomboniere, um café e sala de espera, tudo sob decoração moderna e arrojada. “Ainda estou pensando nos detalhes finais. Mas já sei que todas as colunas serão revestidas com aço espelhado. Tudo será bem iluminado”, garante Araújo, que também ressalta a informatização da bilheteria. “O serviço será informatizado. Faremos vendas antecipadas e, futuramente, poderemos vender os ingressos pela Internet”.

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Programação e preço

Acostumados a assistir a grandes lançamentos com relativo atraso às Capitais, os amantes do cinema podem comemorar. “Com o porte do cinema que teremos, provavelmente os filmes chegarão com mais facilidade pelas distribuidoras”, espera Marcos Araújo. Produções que fogem do circuito comercial também não são descartados pelo empresário. “Minha prioridade é o comercial, mas estamos abertos para parcerias com cineclubes, por exemplo”.

Quem também pode comemorar são os lojistas do Bauru Shopping. “A expectativa é de que o cinema atraia 600 mil espectadores anualmente. Com isso, esperamos que o fluxo de consumidores cresça 10%, estimulando o varejo”, analisa o representante da empresa administrativa do estabelecimento, a AD Shopping, Américo Cardinale.

Mas é claro que tudo tem um preço. Atualmente paga-se entre R$ 4,00 (meia-entrada à tarde, durante a semana) e R$ 10,00 (inteira no final de semana) para assistir a uma sessão. Com a inauguração das novas salas, o custo da entrada inteira será de R$ 12,00. “Eu acho que é um preço justo por tudo o que o cinema vai oferecer”, considera Araújo.

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Salas fechadas e reformas

Com a inauguração das novas salas de cinema, as duas atuais do Cine Center serão desativadas. De acordo com a assessoria de imprensa do shopping, o uso do espaço está inserido no projeto da terceira fase de expansão do estabelecimento. “Ainda não há nada de concreto, mas há uma possibilidade de instalar uma grande loja no local”, diz a assessora Natália Conte.

Já as salas do Cine Bauru, atualmente em estado precário, com grande parte das poltronas rasgadas ou quebradas e som e imagem sem qualidade, devem passar por reformas. “Vamos começar a mexer nessas salas em agosto e a reforma deve durar cerca de 45 dias. Provavelmente, teremos que refazer a arquibancada, porque nosso maior problema é o pequeno espaço entre as poltronas, que nos impede de trocá-las por maiores”, alega Araújo.

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