Brasília - A CPI dos Bingos poderá apelar para a Polícia Federal (PF) para tentar garantir o depoimento do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O depoimento de Teixeira para a CPI estava marcado para ontem, mas ele cancelou alegando falta de tempo hábil para se deslocar de São Paulo a Brasília e problemas de saúde. Com isso, nem houve sessão. Foi a segunda vez que Teixeira usou o argumento médico para não comparecer à CPI.
O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), disse que se for preciso vai usar a “força” da PF para garantir o depoimento. “Nós estamos chegando ao final da CPI sem o uso da força, mas lamentavelmente não há outro caminho a não ser este. Cabe à Polícia Federal trazê-lo para depor”, disse Efraim. Segundo o senador, antes de apelar para a Polícia Federal, Teixeira terá mais uma chance para se apresentar espontaneamente. O regimento interno prevê que depois de três convocações é possível recorrer à Polícia Federal para ouvir o depoente.
O presidente da CPI descartou encaminhar uma junta médica para avaliar o estado de saúde do advogado. “Acho que ele está trabalhando normalmente e tem condições de vir depor”, disse. Teixeira é investigado pela CPI por causa das denúncias do economista e ex-militante petista Paulo de Tarso Venceslau. Em depoimento à comissão, Venceslau afirmou que Teixeira foi ligado a empresa Cpem, que seria usada pelo PT para fazer caixa dois na década de 90.
O presidente da CPI disse que está disposto a negociar com governo e oposição o requerimento que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto. A intenção é fazer um acordo que permita o encerramento dos trabalhos da comissão até o final de maio ou, no máximo, até a primeira semana de junho. Efraim avalia que após este período a comissão pode ser esvaziada devido ao calendário de jogos da Copa do Mundo, festas juninas e convenções partidárias.
O prazo oficial de encerramento da CPI é dia 24 de junho. “Dia de São João, de fogueira”, brincou Morais. Além do requerimento de Okamoto, também serão negociados os que pedem a convocação do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso e do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. “O ideal seria que ele fosse ouvido em sessão conjunta, mas a Câmara se antecipou. Vamos ver se o depoimento dele na Câmara esgota a questão ou se será necessário ouvi-lo no Senado e também na CPI”, justificou. Na próxima semana, a CPI terá uma reunião para votar os últimos requerimentos.