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Índios e estudantes comemoram 19 de abril com interação social

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

“Gostei mais do que ler nos livros”, diz o estudante de um colégio particular de Bauru, Lucas Rodrigues, 6 anos, ao conhecer de perto os 25 índios da aldeia Araribá, em Avaí. Ele e outros aproximadamente 500 colegas de 4 a 11 anos receberam os indígenas na escola para um intercâmbio de relacionamento comemoração ao Dia do Índio. Primeiro, os visitantes mostraram a dança e pintura do corpo usadas em apresentações. Junto com o pajé Ronaldo Marcolino, as crianças aprenderam a plantar sementes e como respeitar a natureza. Depois, foi a vez dos índios experimentarem um pouco das regalias do mundo moderno: almoçaram na cantina da escola e nadaram em uma piscina aquecida.

Dúvidas simples, como quais alimentos os índios comem e se eles compram tintas para pintar o corpo, foram esclarecidas. “Fiquei sabendo que os índios vão ao supermercado”, conta animado Felipe Costa Lopes, 7 anos. Os alunos também aprenderam que os índios fazem a tinta que usam para pintar o corpo com raízes de árvores e sementes.

Na opinião do cacique Fernando da Silva Nunes, a troca de informações com o “homem branco” é importante para esclarecer sobre a atual situação do índio. “Não caçamos mais e as crianças da aldeia freqüentam a escola e assistem televisão. As pessoas ainda pensam que vivemos como as histórias dos livros”, ressalta. Com tanta modernidade, é difícil manter a cultura indígena. “A dança e a língua são as maneiras de mantermos nossa cultura viva. Não é fácil, mas procuramos passar a cultura para os mais jovens”, completa.

A diretora da escola, Deise Vitti Cincoto ressalta a importância da troca de informações. “Anos atrás, os índios vieram para conhecer a escola em Bauru. Dessa vez, aproveitamos para que os alunos também pudessem aprender mais sobre a cultura indígena”, explica.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) explica como surgiu a data em comemoração ao Dia do Índio. Durante a realização do 1.º Congresso Indigenista Interamericano no México, em 1940, os representantes de diversos países americanos decidiram convidar os índios - tema central do Congresso - para o evento.

Entretanto, a comissão encarregada de fazer o convite encontrou resistência por parte dos índios que, habituados a perseguições e traições, mantinham-se afastados das reuniões, de nada valendo os esclarecimentos e tentativas dos congressistas. Dias depois, convencidos da importância do Congresso na luta pela garantia de seus direitos, os índios resolveram comparecer.

Essa data, por sua importância na história do indigenismo das Américas, foi dedicada à comemoração do Dia do Índio. A partir de então, o dia 19 de abril passou a ser consagrado ao Índio, em todo o continente americano.

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