A Cáritas Diocesana de Bauru é a primeira entidade do País a desenvolver projeto na área social com recursos de condenações judiciais e multas administrativas. A verba, liberada pelo Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (CFDD) - pertencente ao Ministério da Justiça-, foi aplicada no ano passado para viabilizar 46 oficinas realizadas em 15 bairros periféricos da cidade.
Na ocasião, cerca de mil mulheres participaram do trabalho de educação solidária para o consumo. Aprenderam como comprar produtos para garantir à família uma alimentação saudável, sem desperdício de dinheiro. A proposta técnica, elaborada e desenvolvida pelo Instituto Terra Viva, foi mostrar às participantes os riscos inerentes, por exemplo, às promoções promovidas pelos mercados.
“Numa sociedade capitalista, nenhum comerciante faz milagre. Em muitas ofertas, o produto está para vencer ou já está vencido. Trata-se de uma rede de proteção aos consumidores de baixa renda”, explica Rosa Morcelli, coordenadora do projeto. Presidente da Terra Viva, organização não-governamental parceira da Cáritas, ela contou com R$ 69 mil para concretizar a proposta, que consumiu ao todo R$ 110 mil.
“Teve também a contrapartida da Cáritas e do Instituto. Hoje (ontem) prestamos conta desse projeto”, informa Morcelli ao referir-se à visita do secretário executivo da CFDD, Nélson Campos. De acordo com ele, depois da Cáritas de Bauru, é possível que outros projetos de caráter social sejam selecionados. Até a próxima sexta-feira, as inscrições estão abertas.
Mais um
Normalmente, o conselho investe em projetos de caráter ambiental e administrativo, por exemplo. Mas a Cáritas não descarta a possibilidade de enviar outro projeto de natureza semelhante para dar continuidade ao primeiro. O principal empecilho é o tempo para elaboração da proposta, informa o presidente da Cáritas, Odir Gil de Souza. Ao todo, 40 de aproximadamente mil propostas serão acolhidas pelo CFDD.
“A visita dele foi um estímulo a continuar nessa linha de raciocínio, ou seja, a de apoderar as mulheres para consumir com consciência”, acrescenta Morcelli. De acordo com ela, o projeto foi selecionado em 2004. A idéia, no entanto, partiu do trabalho realizado junto aos mutirões para a superação da miséria e da fome. Criado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele ganhou as ruas de Bauru por meio da Cáritas Diocesana.
“Esse documento (da CNBB) apontava também para a necessidade de se pensar a questão do desperdício de tudo: água, energia, alimento. Fizemos oficinas na periferia para trabalhar a comercialização de produtos artesanais produzidos pelas mulheres. Foi um projeto piloto que nos ajudou a identificar o caminho (do projeto enviado ao CFDD)”, conclui.
Outras informações sobre o CFDD e referentes à elaboração de projetos podem ser obtidas pelo site www.mj.gov.br/cfdd.