A saída temporária de Páscoa, permitida para presos que cumprem pena em regime semi-aberto, foi oportuna para 70 detentos de Bauru, que não retornaram às prisões até a última terça-feira, prazo final para a reapresentação.
A maior evasão foi registrada no Instituto Penal Agrícola (IPA), onde 55 dos 981 internos liberados não voltaram. Na penitenciária 1 (P1), dez presidiários não se reapresentaram, do total de 117 que tiveram a permissão para passar a Páscoa com a família. Na penitenciária 2 (P2), que liberou 135 detentos, apenas cinco não retornaram. O benefício foi concedido do dia 13 de abril até as 17h do último dia 18.
Evandro Bueno Campanha, diretor-substituto do IPA, diz que o número de abstenções está dentro do previsto. “É normal que não ocorra o retorno de até 7% do total liberado. Estamos dentro da média. No entanto, esses presos já são considerados foragidos e, quando forem recapturados, vão perder a pena alternativa do semi-aberto”, observa.
Ainda de acordo com Campanha, o IPA abriga atualmente 1.066 internos, sendo que a maioria cumpre pena por crime contra o patrimônio.
Entre os presos que se reapresentaram na P1, ocorreu um fato, no mínimo, curioso. De acordo com a Polícia Militar (PM), o presidiário Alexandre Stefane Nunes do Nascimento roubou um carro em Osasco para chegar a tempo à cadeia, na última terça-feira. Em Bauru, ele abandonou o veículo, um Fiat Uno branco, placas ALY 9689, de Londrina, no meio de um matagal que fica próximo ao prédio da penitenciária. Um dos agentes da P1 teria visto e identificado o preso estacionando o carro no local. A polícia apreendeu o veículo e, após a perícia, o conduziu para o pátio da 5ª Cincunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), em Bauru.
Lúcia Helena Sázio, diretora da penitenciária, disse ontem à tarde que ainda não havia recebido nenhuma informação da PM sobre o roubo do Fiat Uno por um interno do local. Ela apenas admitiu ter conhecimento de que um veículo foi encontrado nas proximidades do presídio. Por conta disso, preferiu não revelar a idade, nem os antecedentes criminais do acusado. Segunda ela, 1.091 presos estão confinados no local atualmente. A maior parte responde a crimes de tráfico de drogas e estelionato.
O diretor da P2, Hélio José Bonságlia, considerou baixo o número de presos que não retornaram à unidade. “Só amanhã (hoje) vamos saber se os cinco que não voltaram estão, de fato, foragidos. Eles podem ter se reapresentado em outras penitenciárias do Estado”, destaca.
Ainda conforme Bonságlia, atualmente a P2 abriga 139 detentos no regime semi-aberto e 1.016 no fechado.
As próximas saídas temporárias serão concedidas em maio, no Dia das Mães, e em agosto, no Dia dos Pais. Os presos também são liberados no Natal e Ano Novo.