A Polícia Militar (PM) encontrou anteontem à noite duas facas dentro da mochila de um estudante de 16 anos. O rapaz, que foi abordado quando jogava bola na quadra de esportes de uma escola situada na Vila São Paulo, disse que carregava os utensílios para se proteger.
Ele contou à reportagem pertencer a um grupo minoritário dentro da escola. Por temer o majoritário, o aluno apostou nas facas (uma com 20 centímetros de lâmina e a outra com dez) como alternativa para evitar imprevistos dentro da instituição. Fora dela, os companheiros dele lhe garantem alguma defesa.
Para tanto, em muitos casos eles o esperam na saída. “Um colega meu tomou um facada. Foi no final do ano passado”, relembra, ao comentar as desavenças entre os grupos. No entanto, questionado o rapaz não soube informar as razões de eventuais rixas. Extra-oficialmente, aventou-se nas imediações da escola que o problema registrado na noite de terça-feira teria relação com pichações.
A informação não foi confirmada. Porém, a PM reiterou que quatro viaturas foram deslocadas até o local em função de uma denúncia relativa a uma briga prevista para ocorrer no horário do intervalo. De acordo com o registro, o contato teria sido feito pela diretoria da escola que, por sua vez, garantiu não ter procurado a PM. Atribuiu a queixa à comunidade, que também faz uso da quadra esportiva.
Fora da escola
A direção da escola ressalta ainda que o aluno em questão, matriculado no período noturno, não assistia às aulas, nem estava envolvido em qualquer atividade promovida pela escola, quando foi abordado pela PM. A informação foi confirmada pelo rapaz que, por estudar no período noturno, não tem educação física na grade curricular.
A escola ainda enfatizou que, durante o trabalho da PM no local, o portão de acesso entre a quadra e as outras dependências da instituição – onde ficam as salas, por exemplo – mficou fechado. Mesmo assim, o garoto de 16 anos preferiu não ir à aula ontem por estar envergonhado de ter sido abordado pela polícia. O caso foi registrado como apreensão de objeto na Delegacia de Infância e Juventude (Diju), onde o caso foi registrado. As facas foram apreendidas.