Política

Prefeitura não cede e a greve continua com registro de BO

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A Prefeitura Municipal de Bauru não aceita negociar alteração na proposta de reposição salarial oferecida aos servidores e também não admite negociar elevação no valor do vale-compra dos atuais R$ 132,00 para R$ 182,00, conforme contra proposta oferecida pelo Sindicato dos Servidores (Sinserm). O impasse levou os servidores a aprovar, em assembléia realizada ontem à tarde, a manutenção da greve, com manifestação prevista para o retorno do feriado, na segunda-feira, em frente à Câmara Municipal, quando deve ser votada em sessão ordinária a proposta de reposição de R$ 5,03%, mais R$ 50,00 de abono e outros R$ 50,00 como incorporação.

A reunião de ontem durou mais de duas horas e meia, tempo insuficiente para que houvesse acordo. O sindicato argumenta que cedeu para por fim à paralisação, condicionado o retorno ao trabalho ao aumento de R$ 50,00 no vale-compra mensal. A administração insiste que a oferta já formalizada traduz o “limite” das receitas municipais. Segundo o governo, o acréscimo no vale-compra significaria aumento na despesa mensal com o benefício de R$ 315 mil.

Desde o penúltimo encontro, dos cinco da mesa de negociação desde o início da greve no dia 4 deste mês, há sinais de saturação do diálogo entre a comissão do Executivo e a do sindicato. Ontem, a negociação foi encerrada em ambiente de tensão, com princípio de provocação das partes.

A reunião, por sinal, estava marcada para às 10h, mas correu o risco de nem ser realizada. Ao saber que um grupo de grevistas tentava impedir veículos da prefeitura de abastecer, na Diretoria de Apoio Operacional (DAO), na Vila Antártica, o chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli, advertiu o sindicato que só sentaria para conversar se o ato fosse fosse encerrado. A condição retardou a reunião para pouco depois das 10h30, com as partes repetindo à exaustão obstáculos ao acordo.

“A prefeitura mantém a proposta dela, mantendo o valor do vale-compra, dos demais benefícios, da reposição e do abono oferecidos anteriormente. Os dias parados serão descontados. A prefeitura só não desconta se houver decisão judicial a respeito”, anunciou o secretário Municipal de Administração, Fernando Ferreira Jorge, já no início da tarde de ontem.

O advogado do Sinserm, Sandro Luiz Fernandes, disparou contra o prefeito. “O governo não mostra nenhuma preocupação com os serviços oferecidos à população e nenhum respeito aos servidores. O sindicato cedeu e a comissão do prefeito, liderada pelo chefe de Gabinete, Paulo Canalli, continua intransigente. Descontar os dias parados é só ameaça. Foi cassada a ordem que questionava o direito à greve no Tribunal de Justiça. O prefeito é quem tem de conseguir decisão judicial para reverter. O governo radicaliza e vai pagar o preço”, anuncia.

No final da tarde, a Polícia Militar foi acionada com o registro de boletim de ocorrência tanto por parte do sindicato quanto por parte do governo. O conflito foi gerado em razão de nova tentativa de bloqueio do abastecimento de veículos da frota oficial. A paralisação dos serviços de coleta de lixo é uma alternativa em análise junto aos grevistas. O receio, entretanto, é que o governo utilize a ação para terceirizar o serviço por contrato de emergência, hipótese, porém, rejeitada pelo prefeito Tuga Angerami (PDT) desde o início do processo de licitação.

Alvo das críticas

O chefe de Gabinete, Paulo Canalli, e o secretário de Finanças, Edmundo Albuquerque, foram os alvos preferidos das manifestações dos grevistas durante a mobilização realizada ontem em frente ao prédio do Palácio das Cerejeiras, nos Altos da Cidade.

Utilizando carro de som, os grevistas se revezaram no microfone para chamar o assessor direto do prefeito Tuga Angerami de “braço de ferro, mal educado e truculento”, em referência à manutenção da proposta salarial pelo governo. Os grevistas queriam que o prefeito retirasse Canalli da mesa de negociação. “Ele é truculento, não sabe negociar, quer impor sua condição com braço de ferro”, reclamaram alguns funcionários.

Já o secretário Edmundo Albuquerque foi criticado dentro e fora da mesa de negociação. Ontem, os grevistas repetiram a provocação de que o governo atual já sabia da difícil condição financeira da prefeitura desde a administração anterior. “O Edmundo ameaçou deixar a mesa de negociação quando ouviu da comissão que ela sabia de tudo, sempre soube, até porque foi o líder do governo Nilson Costa, apoiou o governo passado e agora é o secretário de Finanças do Tuga”, lançaram.

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