Economia & Negócios

Inadimplência cai 50% no comércio de Bauru, diz SPC

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O bauruense está devendo menos no comércio. Levantamento feito a pedido da reportagem pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), órgão ligado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), aponta redução de 50% no número de pessoas que tiveram seus nomes incluídos na lista de inadimplentes do SPC neste mês, sobre o mesmo período de 2005.

Neste mês, 1.484 consumidores tiveram seus nomes negativados por conta do não-pagamento de suas dívidas. Em abril do ano passado, até esse mesmo período foram registradas 2.969 inclusões, o que representa 1.485 inadimplentes a mais.

Em contrapartida, foram excluídos menos nomes da lista na comparação com 2005. Segundo o SPC, em abril deste ano 1.632 pessoas conseguiram recuperar o crédito na praça por terem quitado as dívidas. Porém, no mesmo mês do ano passado, 2.991 consumidores conseguiram sair da lista de inadimplentes.

Para Sérgio Evandro Motta, diretor da CDL e do SPC, o comércio vendeu menos nas últimas semanas, o que pode explicar a queda no nível de inadimplência do setor. Ele considera que alguns reajustes em outros setores também podem ter inibido o poder de compra do consumidor bauruense, evitando que mais pessoas fossem incluídas na lista de devedores.

“Os aumentos nos valores da taxa do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), do material escolar, que também sofreu acréscimo, assim como o IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores), que subiu mais que a inflação, formaram um conjunto de fatores responsáveis por tirar o dinheiro da praça”, conclui Motta.

O diretor da CDL, no entanto, considera normal a oscilação no número de pessoas que deixaram a lista do Serviço de Proteção ao Crédito na cidade. Ele avalia que menos consumidores limparam seus nomes em abril deste ano em decorrência da atividade econômica dos últimos meses, que pouco ficou aquecida.

“Isso significa que o comércio vendeu menos e que o universo de consumidores que poderia ir para o SPC ou pagar suas contas, também foi menor”, completa.

Análise

O economista Mauro Gallo atribui a queda da inadimplência à alta taxa de devedores registrada em abril do ano passado. Ele explica que os consumidores que foram incluídos nos sistemas de proteção ao crédito por não pagarem seus débitos, automaticamente ficaram incapacitados de fazer novas contas.

“Esse foi o principal fator da diminuição do número de inadimplentes no comércio de Bauru (em abril deste ano). Quem ficou com o nome sujo há um ano, provavelmente continua nesta condição hoje e, portanto, sem possibilidade de fazer novas contas (compras parceladas)”, conclui.

Gallo também destaca que as pessoas ficaram mais cautelosas quanto a “emprestar o nome” a terceiros. Ele refere-se àqueles que, por não terem crédito, compram na conta de conhecidos, que consentem com essa alternativa. O economista avalia que essa prática foi menos recorrida.

Outro ponto destacado por ele, que acredita ter contribuído para a diminuição de inadimplentes, foi a melhora da renda dos consumidores que ganham um ou pouco mais que um salário mínimo. Para o economista, esse reajuste possibilitou que muitos devedores regularizassem seus débitos ou evitassem novas dívidas, optando pelas compras à vista.

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Março

No mês passado, segundo Sérgio Motta, 3.015 pessoas foram incluídas no Serviço de Proteção ao Crédito de Bauru, enquanto no mesmo período de 2005, a inadimplência levou 5.190 consumidores para a lista. A redução neste ano foi de 42%.

O número de exclusões também diminuiu. Em março deste ano, 2.819 consumidores regularizaram seus débitos e deixaram de constar na lista. Nos mesmos 30 dias de março de 2005, 5.088 inadimplentes limparam seus nomes.

O economista Mauro Gallo orienta que a forma mais indicada de “limpar o nome” na praça é não fugir dos credores e buscar negociações. “No comércio, seguramente não será difícil de negociar o débito, porque o pessoal tem interesse em vender”, observa.

Gallo acredita que, mesmo nas agências bancárias, a negociação também é a maneira mais viável para retomar o controle das dívidas e ter condições de pagá-las.

“Uma alternativa é tentar quitar a dívida bancária de uma só vez. Quando a pessoa tem condições de pagar apenas 10% do que deve, por exemplo, o banco, com certeza, aceita para não perder tudo”, completa.

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