Brasília - Numa linha contrária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da colega Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro Waldir Pires (Defesa) admitiu ontem a possibilidade de o governo injetar dinheiro público para amenizar a crise financeira da Varig.
Questionado sobre essa possibilidade ontem no Palácio do Planalto, ele não deu detalhes, mas sugeriu que a ajuda financeira à Varig não está descartada, como Dilma tem repetido nas últimas semanas. "Desde que ela [ajuda pública] possa ser legal", afirmou. O ministro da Defesa apenas citou o BNDES como uma opção. Mas não apresentou nenhuma outra alternativa para que essa suposta ajuda ocorra. Limitou-se a dizer que há estudo no governo.
"Se estiver legal e se chegar a uma governança da Varig ou do conjunto de empresas que se componha com a Varig para que a bandeira brasileira em todo o comércio de aviação civil do mundo permaneça presente e respeitada, claro [que há possibilidade de ajuda]. E, se isso ocorrer, sem dúvida o governo fará o esforço que for possível. Porque sobre todas as formas é inclusive conveniente isso, porque, do contrário, o prejuízo já está feito", disse Pires.
Anteontem, Dilma afirmou que o governo já socorreu a Varig em anos anteriores e que aportar mais dinheiro poderia prejudicar ainda mais a empresa. Lula disse na semana passada que o governo não iria usar recursos públicos para socorrer a Varig. Pires foi mais flexível.
"O governo apóia que a Varig, que foi um patrimônio de presença do Brasil no mundo, possa vir a ser preservada. Há um pedaço de tempo muito grande em que as coisas não se concluíram e não se resolveram. Só se agravaram. O governo só pode gastar dinheiro público na forma da lei. O governo está empenhado nisso, está desejando que isso ocorra."
Ontem, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou no "Diário Oficial" da União decisão na qual considera nula a operação de venda da Varig Log para a Volo. Segundo a decisão, a operação não teve validade porque não houve pedido prévio de autorização para a venda. A agência deu dez dias úteis para que os interessados na operação protocolem os documentos na agência, que não descarta totalmente a possibilidade de aceitar a proposta.
Afastamento
O juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, atendeu pedido encabeçado pelo Aerus (fundo de pensão dos funcionários de companhias aéreas) para afastar o presidente da Varig, Marcelo Bottini, do cargo de gestor interino do plano de recuperação da empresa.
O afastamento está previsto no plano de recuperação e já era admitido pelo próprio Bottini, que, no entanto, permanece como presidente da empresa e cuidará de seu dia-a-dia. O plano de recuperação passará a ser comandado pelo banco Brascan e pela consultoria Alvarez & Marsal, que terão de constituir os Fundos de Investimento e Participações (FIPs).
O modelo prevê a criação de um FIP-Controle, com aporte de todas as ações das empresas em recuperação judicial, Varig, Rio Sul e Nordeste. Depois da constituição desse fundo, caberá à Alvarez & Marsal apresentar ao Brascan os nome que integrarão a administração dessas empresas devedoras.
Em nota, a Varig afirmou que nesse momento “o conselho de administração e a diretoria da Varig, inclusive o diretor-presidente Marcelo William Bottini, continuam em seus cargos”.
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Manifestação em Congonhas
São Paulo - Um grupo de cerca de 150 funcionários da Varig realiza uma manifestação ontem em frente ao aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) com faixas, cartazes e apitos. Segundo o Departamento de Comunicação da Infraero no aeroporto, o grupo caminha pela via de acesso e passa pela frente do aeroporto, sem entrar no saguão.
O trânsito já apresenta morosidade na região, segundo o departamento. Na semana passada, funcionários da empresa realizaram manifestações em São Paulo, no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília manifestações para pressionar o governo a ajudar a solucionar a grave crise financeira enfrentada pela companhia aérea.
A empresa tem mais de 10 mil funcionários, mas não tem dinheiro para honrar dívidas estimadas em R$ 7 bilhões nem recursos para arcar com as despesas correntes, como combustíveis e salários.