Regional

Homem envolvido em seqüestro é preso em Marília

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A polícia de Bauru prendeu mais um envolvido no seqüestro de um empresário de Goiânia, que foi pago em Bauru. Na última quinta-feira, após 30 dias de investigação, a equipe da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), localizou o suspeito, Caio Diego Thabett Pagonha, em Marília. Em março, a polícia prendeu Marcos Augusto de Freitas, titular da conta que recebeu o depósito do resgate, em Bauru.

Silberto Sevilha Martins, titular da DIG, conta que para chegar até Caio, a polícia levantou informações de que o suspeito morava em Marília. “Foi uma engenharia. Levantamos o nome dele e fomos ao Registro Nacional de Habilitação e pegamos a sua foto. Comparamos com a imagem recolhida no circuito interno da Caixa Econômica”. Identificado o suspeito e sua participação no seqüestro, foi pedida a sua prisão temporária de Pagonha.

Os policiais de Marília prenderam o suspeito na tarde de sábado. Ele ainda não prestou depoimento, mas o que disse preliminarmente à polícia, confere com os dados do seqüestro. Pagonha foi quem recebeu o dinheiro do resgate do empresário paraense Oséas Nunes de Castro, 48 anos. Ele foi atraído para Goiânia, onde foi seqüestrado, após responder um anúncio de venda de máquinas a preço abaixo dos de mercado. O valor cobrado pelos seqüestradores foi R$ 120 mil. Freitas, titular da conta bancária, ficou com cerca de R$ 5 mil e entregou o resto a Pagonha.

“O Caio é hoje, a principal peça para esclarecermos o seqüestro”, observa Martins. Agora a polícia vai investigar o nível de participação dele no crime. “Vamos averiguar se ele é o agenciador, o arrecadador, o mentor, ou apenas um participante”, conta Martins, que acredita no envolvimento de cerca de dez pessoas no crime.

A DIG já identificou mais quatro participantes do seqüestro, todos da região de Marília. “Além de Freitas e Pagonha, outros dois já estão com prisão decretada. E outros dois suspeitos já foram identificados. Além deles, acreditamos que mais quatro pessoas estão envolvidas”, aponta Martins. Todas as investigações estão sendo feitas em conjunto com as polícias de Goiás, o grupo anti-seqüestro do Departamento de Investigação sobre o Crime Organizado (Deic), a DIG de Marília e a polícia de Herculândia.

Golpe

Conhecido como “golpe da moda” em Goiás, a ação consiste na publicação de um anúncio em jornal oferecendo ofertas para empresários. Combinado o ligar do negócio, z vítima é rendida. “Geralmente, se ela estiver com o dinheiro, vira um assalto. Se não, os criminosos a detém, o que transforma o crime num seqüestro”, explica Martins. A trama complicada, tem por finalidade confundir a polícia e dificultar a localização dos líderes da quadrilha que já lesou e continua lesando muitas pessoas no Estado. Em 2005, duas pessoas - pai e filho - morreram num seqüestro semelhante em Goiás.

O caso da região foi descoberto a partir de um saque feito por Freitas, na agência da CEF da rua Gustavo Maciel, no valor de R$ 120 mil. A quantia chamou a atenção de uma bancária, que procurou a polícia logo depois de receber uma mensagem do Banco da Amazônia bloqueando a retirada e informando que o dinheiro era oriundo de pagamento de resgate.

Com a informação da agência bancária, policiais da DIG iniciaram as investigações, acreditando que a conta era fantasma (aberta com documentos e endereço falsos). Mas todos os dados da ficha de Freitas na CEF eram verdadeiros. O rapaz foi preso no apartamento em que morava.

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