Política

Tuga: ‘Greve esbarra em limite ético’

Nélson Gonçalves'
| Tempo de leitura: 2 min

O prefeito Tuga Angerami (PDT) comentou ontem, durante a recepção ao astronauta Marcos Pontes, no aeroporto local, que o movimento grevista do funcionalismo público em Bauru esbarra no limite ético, em uma referência à mediação que o governo faz na hora de negociar as reivindicações salariais dos servidores e a necessidade de reservar recursos para atender à demanda de carências sociais. Segundo ele, não se justifica arrecadar impostos e utilizar mais do que o patamar atual em despesas com funcionalismo.

Para o chefe do Poder Executivo, a administração adotou como patamar para as negociações o teto de 60% de gastos com funcionalismo para não permitir que os programas de investimento sejam afetados, ainda que a disponibilidade financeira atenda apenas uma parcela da demanda. “A postura da administração é cumprir a lei em primeiro lugar. E em segundo, intermediar conflito que existe entre 6 mil servidores que querem ampliar seus ganhos e, por outro lado, 344 mil bauruenses que querem asfalto, investimento, recuperação física da cidade”, avalia.

Para Angerami, o choque não se estabelece com o governo, mas no conflito com a divisão do bolo para enfrentar esses problemas. “Há um conflito de interesses entre as reivindicações dos servidores e a demanda da população. Mas esse choque não ocorre entre as partes que reivindicam o Orçamento e o governo é que acaba sendo o interlocutor dos dois setores. Nós adotamos preservar as fatias possíveis”, defende.

Ou seja, o prefeito deixa claro que o governo adotou como postura não avançar além de 60% das receitas com o funcionalismo, incluindo folha de pagamento e vantagens. “Eu tenho que mediar esse conflito. O servidor tem o direito de reivindicar e é legítimo, mas os 344 mil bauruenses também têm o direito aos serviços prestados pela máquina. Minha posição é de alguém sereno, que está seguro de que chegou ao limite do que a lei permite com despesas e, em segundo, o limite ético. Como eu explico para a população que tem demandas acumuladas e que agora que há uma margem pequena para investimentos eu vou adiar de novo a retomada da recuperação física da cidade para atender os 6 mil servidores?”, aponta.

Diante disso, Angerami reforça que o fim do movimento grevista, que já completa 18 dias, depende dessa compreensão. “Nós já estamos dando reposição aos servidores, dentro desse limite financeiro. E o limite ético é que eu não tenho como explicar à população, que a cidade tem que ceder mais uma fatia do que já é escasso para investir. Não há como ceder mais de 60% das receitas, este é o limite ético que eu reforço. Já sobra pouco para manter a máquina e oferecer remédio, asfalto, médico, assistência social”, completa.

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