Ilha de Comandatuba - O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Ricardo Izar (PTB-SP), disse ontem que vê dificuldades na realização de uma nova CPI para investigar as relações entre o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, e a família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a CPI do Lula, já apelidada de “CPI do Armagedon” (local em que, segundo os cristãos, começará o fim do mundo).
“Eu acho muito difícil. Nós vamos trabalhar até junho. Temos mais dois meses, e algumas CPIs nem terminaram. A (própria) CPI dos Bingos está cada vez mais fraca”, disse ele, que participa do 5.º Fórum Empresarial, na Bahia. “Nós vamos ter no segundo semestre, a partir de junho, um recesso branco (com apenas duas ou três votações por semana)”, acrescentou.
O deputado também admitiu dificuldades para a aprovação da emenda constitucional que prevê a extinção do voto secreto nas votações da Câmara e do Senado. Na quarta-feira, uma frente de parlamentares pressionou o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), a colocar em pauta a proposta ainda neste mês. “Eu acho difícil (a aprovação), mas nós vamos lutar por isso. Na hora em que nós formos votar (a matéria), o voto vai ser aberto e o eleitor vai poder ver quem defende o voto secreto ou aberto”, disse ele.
O deputado, no entanto, acha que o voto secreto deve ser mantido no caso de votações sobre vetos governamentais, o que evitaria que alguns parlamentares decidissem sob temor de represálias. Processos no Conselho Izar afirmou que os três processos restantes sobre o escândalo do mensalão no Conselho devem ser concluídos até maio. Ele também afirmou que os deputados que substituíram os parlamentares que renunciaram à vaga devem permanecer até o fim dos trabalhos.
Ele também comentou as absolvições no plenário da Casa que contrariaram a orientação pela cassação dos mandatos decidida no Conselho. “O importante é o que o Conselho de Ética está cumprindo a sua obrigação. Está mostrando ao Brasil o que está acontecendo’’, disse ele. “O procurador-geral (Antônio Fernando de Souza) indiciou determinados parlamentares que foram condenados no Conselho e absolvidos no plenário, incluindo provas, oitivas e testemunhos feitos no Conselho”, acrescentou.