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Vocação popular

Por Marcelo Ferrazoli | Com Diego Ortiz (Auto Press)
| Tempo de leitura: 5 min

O Chevrolet Celta foi lançado no ano 2000 com apelos de venda simples: design atraente e preço competitivo. E o custo baixo de produção foi fruto de um bom esforço da General Motors: ela montou uma fábrica moderna e econômica no Rio Grande do Sul e reaproveitou a plataforma e diversos outros componentes do antigo Corsa. Pelo preço acessível e visual simpático, o Celta figura entre os cinco carros mais vendidos do Brasil nos últimos anos. Mas o tempo, implacável, fez o visual moderninho se tornar obsoleto. Para reverter os efeitos da idade, a GM promoveu uma boa reestilização no carrinho.

Mas não modificou a essência do projeto. O Celta continua baseado na mesma plataforma do antigo Corsa - a mesma que desembarcou no Brasil em 1994. O que também não mudou foi a idéia de produto. A função do carrinho ainda é ser o modelo de entrada da marca. Por isso, a GM não investiu no desenvolvimento de um motor 1.4 Flex - que deve chegar no segundo semestre - para o modelo, com receio de ter de aumentar o valor do carro.

A novidade é mesmo o visual: o Celta passa a exibir, na frente, conjuntos óticos mais graúdos, enquanto a grade foi mais para cima do capô e o pára-choque ficou mais afilado. Tudo para deixar o carro com uma aparência mais próxima à do Vectra, primeiro modelo a apontar a nova tendência de design a ser adotado pela GM brasileira. Atrás, as linhas da tampa ficaram mais retas que as do “antigo” Celta. A placa subiu do pára-choque para a tampa do porta-malas e as duas lanternas, agora, incorporam luzes de ré - antes era só na direita.

O interior do compacto foi reformulado e ficou mais interessante, perdendo o “ar” de excesso de simplicidade que marcava a “geração” anterior e era um dos principais pontos negativos do modelo. Os marcadores do painel foram mudados e têm inspiração clara nas versões SS do Corsa, Astra e Meriva. O marcador de combustível deixa de ser digital e a posição da buzina foi trocada - saiu da haste do pisca e foi para o centro do volante. O acabamento, como já esperado em um “popular”, ainda mantém-se distante de qualquer luxo, mas é melhor do que o anterior. A quantidade de porta-objetos também é maior.

As versões do Celta foram mantidas, mas o recheio de cada uma mudou um pouco. Na Life, há um inédito conta-giros no painel. A Super ganhou rodas de 14 polegadas de série e as duas versões mais caras, Super e Spirit, podem vir com direção hidráulica como opcional - antes oferecida apenas como acessório de concessionária. Os motores, porém, não mudaram em nada. O Celta continua com um motor flex - 1.0 VHC de 70 cv - e um a gasolina - 1.4 8V de 85 cv. Ambos administrados por um câmbio manual de cinco velocidades.

O Celta Life duas portas com motor 1.0 Flex sai por R$ 23.960,00, enquanto a Super 1.0 Flex quatro portas por R$ 31.470,00 e o 1.4 a gasolina por R$ 26.990,00 (Life duas portas) e R$ 34.500,00 (Super quatro portas).

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Ponto a ponto

• Desempenho

O motor 1.0 Flex do novo Celta também mantém as mesmas virtudes e deficiências anteriores. O modelo acelera até com certa boa vontade, mas perde fôlego nas retomadas e não exibe muito vigor antes de 3 000 giros. O zero a 100 km/h em 14 segundos e máxima de 160 km/h denunciam seu perfil comportado.

• Dirigibilidade

Na cidade, o Celta é um carro interessante de dirigir. Fácil de manobrar e de estacionar, devido à condução macia, só encontra dificuldades em curvas mais fechadas por ter uma suspensão macia demais.

• Consumo

Segundo a GM, o consumo médio do Celta, com álcool, é de 10,5 km/l. Um índice razoável até mesmo para um carro com motor de um litro. Nota 7.

• Conforto

O Celta nunca foi um primor de conforto, mas nessa “segunda geração” foi bastante melhorado por dentro e os comando dos equipamentos ficaram mais acessíveis e visualmente práticos. Falta, porém, espaço a bordo.

• Equipamentos

O Celta, de série, não vem com quase nada que agrade ao cliente. Mas, como opcionais, pode receber ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos e rádio/CD player com MP3. Airbags e ABS, nem pensar. Nota 5.

• Conveniência

O novo Celta ganhou novos porta-objetos localizados no painel e os espaços nas portas das portas ficaram mais harmoniosos com o conjunto.

• Acabamento

Melhor que o anterior. O Celta ganhou novos materiais de acabamento - de melhor qualidade e textura agradável -, grafismo novo e mais bonito nos marcadores do painel e dos comandos dos equipamentos e volante mais macio.

• Design

O Celta sempre foi um carro criticado, mas nunca pelo seu design. E o que já era bom até melhorou. A parte frontal é mais agressiva e os contornos mais retos da traseira deram um certo ar de modernidade ao carro. O modelinho promete chamar atenção nas ruas, pelo menos em uma fase inicial.

• Custo/benefício

Com um design diferenciado perante seus concorrentes e preço competitivo, o novo Celta só perde na lista de equipamentos.

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Você sabia que...

• O Celta é originário do projeto Blue Macaw - Arara-azul - da General Motors? Embora tenha sido desenvolvido em 1997, o modelo só foi lançado em 2000.

• O Chevrolet Celta é chamado de Suzuki Fun na Argentina? A Suzuki Automóveis é uma das marcas associadas à GM.

• O Celta foi o primeiro carro comercializado via Internet no Brasil?

• No ano passado, foram vendidas 119.898 unidades do Celta e, desde que o modelo foi lançado, em 2000, foram mais de 600 mil unidades comercializadas?

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