Causou enorme mal-estar à população local, principalmente aos honrados trabalhadores, a aprovação dessa insensata lei que transforma em corredores comerciais estreitas ruas, nas quais, por desleixo das administrações anteriores, fora permitido que as quitandas e os empórios nelas existentes fossem transformados em bares e similares.
Acredito que pelo fato de a maioria dos nossos legisladores residirem em edifícios, em mansões ou em condomínios fechados, ignoram o quanto sofrem os moradores das imediações desses nefastos estabelecimentos. A maioria das jovens, predestinadas a serem rainhas dos lares, tornaram-se verdadeiras rainhas dos bares, tornando-se chamariscos que em muito tem contribuído para aumentar intensamente a aglomeração de malandros e de bebuns nas imediações desses nefastos estabelecimentos que se tornaram verdadeiros “points” de irresponsáveis baderneiros. A partir das 20 horas, é carro que chega, é carro que sai, emitindo músicas nas mais altas das tonalidades, que, aliadas aos gritos e baderna dos que ali se encontram, ocasionam um barulho ensurdecedor.
As mais justas das justas reclamações dos moradores vizinhos ocasionam represálias por parte da turba embriagada que, nas nossas calçadas fazem de tudo, a ponto de não mais podermos abrir as nossas portas e as nossas janelas dos nossos diminutos domicílios, obrigando-nos a vivermos confinados em nossos recintos sufocantes e desolador.
Há, ainda, alguns vereadores inconseqüentes que, sob as falsas desculpas de desempregos, querem, a todo custo, sustentar o ininterrupto funcionamento desses perniciosos estabelecimentos que, a bem da verdade, só poderiam ser instalados nas mais espaçosas das avenidas ou nas estreitas faixas existentes entre os ribeirões e nas estradas vicinais do nosso município.
Será que tais vereadores ignoram que tais desempregos nada significam em relação ao grande número de legítimos arrimos de família, que, por dormirem seguidamente mal, vão decrescendo assustadoramente em seus rendimentos de trabalho, a ponto de serem dispensados pelos patrões que os observam. E os que dado ao incessante mal dormir acabam se acidentando na execução dos serviços. Ainda não estou me referindo às agressões, aos desastres, às separações dos cônjuges, aos crimes e às infinitas proliferações de filhos ilegítimos.
Não venham com a velha desculpa da necessidade desses estabelecimentos para lazer que, a bem da verdade, só causam desprazer para os que após horas e horas de incessantes trabalhos, ao retornarem aos seus lares, nos quais, ainda que totalmente trancafiados, não conseguem dialogar, suavemente, com suas queridas esposas, com os seus queridos filhos, em virtude da tensão nervosa que todos se encontram em virtude do barulho reinante. É uma vergonha, mas é a pura realidade. A voz do povo é a voz de Deus. Está certíssimo esse velho rifão: “Gente que presta não faz cera em botecos”. Muito obrigado por essa tão necessária publicação.
Odorico José Gonçalves