Tribuna do Leitor

Nem vagabundos... nem imorais!


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Tenho dúvidas: legal ou ilegal? Talvez se torne imortal! Mas... Jamais imoral. Moral... Legal... Imortal... Ilegal... “Vagal”... Ops! “Vagal”? Seria sinônimo de vagabundo? Foi isso que ouvimos na Câmara Municipal? Seria este um ato moral? Por que o funcionário público devidamente concursado e cumpridor de seus deveres virou alvo de pancada? Nos acusam de massa manipulada. Por que ouvir tais comentários de homens engravatados e de estudantes desinformados? Ora, lutar é sinônimo de vagabundear?

Afinal... O salário mínimo, o direito a férias remuneradas e tantos outros benefícios, não são resultados de um movimento grevista? Será esquecimento, alienação ou acomodação? Será que sobreviver com pouco se tornou tão natural, que acham indigno e imoral lutar pra melhorar a situação? Será que querer saúde, educação de qualidade e um salário descente é um ato imoral ou de infração? Então... Onde está a moral da estória?

A moral está nos buracos engolindo as ruas? A moral está nas creches superlotadas e carentes de funcionários? A moral está nas escolas, com professores dobrando período, para complementar o salário? A moral está na sala de maternal que recebe 35 crianças (de 3 anos) aos cuidados de uma única professora? A moral está na merenda precária oferecida nas escolas? A moral está nas filas dos postos de saúde?

A moral está na falta de médicos que não se sujeitam a receber um mísero salário? A moral está no atendimento precário dos hospitais devido à falta de pessoal? A moral está nos corredores dos prontos socorros lotados? A moral está nos aumentos abusivos de taxas e impostos? A moral está nas promessas políticas, evasivas e duvidosas? Céus... Onde está a moral? Estamos num movimento pacífico e aberto às negociações.

Quem está na luta é porque está insatisfeito com a atual situação e quem ainda não está, com certeza, tem medo das represálias de seus superiores ou já desacreditou que o poder público queira reverter essa situação de caos que está vivendo nossa população.

Eu ainda tenho esperança, tenho fé, quero acreditar que meu voto não foi perdido. Ainda não me dei por vencido.

E vocês que nos criticam, que nos chamam de vagabundos, que dizem ser nossa luta um ato imoral, que nos acusam de massa manipulada... Tentem viver e sustentar uma família com o piso salarial que nos é oferecido, que, aliás, deixou de ser piso... É um contra piso.

Sonia Maria Pinheiro - professora - RG. 16.433.509.2

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