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Educação financeira pode ser a saída

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Regulamentar a publicidade para menores de 12 anos é uma das formas fundamentais de se trabalhar a questão do consumismo entre as crianças, que tem efeitos negativos no desenvolvimento infantil.

A consultora Cássia D’Aquino, de São Paulo, defende a educação financeira para crianças. Expostas aos estímulos constantes da publicidade na mídia, elas devem desde cedo aprender a lidar com o dinheiro. A consultora aplica o programa de educação financeira em escolas brasileiras há sete anos.

Para ela, mais do que a publicidade, a origem do consumismo entre crianças e adolescentes está diretamente ligada à dinâmica familiar. Hoje em dia, o pouco tempo que os pais têm para os filhos é aproveitado sempre em situações que envolvem algum tipo de consumo. Desta forma, desde muito pequena a criança aprende a associar o prazer da companhia dos pais ao prazer de consumir.

O resultado são pais perdidos, com crianças pedindo para comprar algo continuamente. “Só que pedir para comprar algo, não significa que a criança quer consumir aquele produto. Ela está apenas exercitando uma prática familiar”, explica Cássia D’Aquino.

As crianças e adolescentes de hoje, de acordo com a consultora, não estão sendo educadas para resolver problemas. “Vivem como se estivessem no século 19, com mucama para tirar a mesa, arrumar a cama.” São gerações que não sabem ganhar e nem gastar dinheiro. O importante é ajudar a criança a construir uma base de comportamento, psicológica e de raciocínio. Isso permitirá que, quando adulta, tenha uma relação responsável com o dinheiro.

Isso pode ser feito de diversas formas, segundo a consultora. A mesada é uma delas e só pode ser entendida como instrumento de educação. Os pais não precisam necessariamente lançar mão desse recurso.

Educa-se o tempo todo, através das atitudes cotidianas, salienta Cássia D’Aquino. Ela cita alguns exemplos: na medida em que a família estabelece que refrigerante é consumido apenas nos finais de semana, que do bolo que a criança adora só poderá comer uma determinada quantia e o restante ficará para mais tarde, está ensinando a criança a esperar para satisfazer um desejo.

Quando os pais chamam a criança para fazer uma lista do que está faltando em casa para ir ao supermercado, ou a ver de que forma vão economizar para conseguir tirar férias - se será deixando de alugar filmes ou diminuindo as idas ao restaurante -, estão ensinando a planejar.

Segundo a consultora, a educação financeira tem que abordar quatro pontos: ensinar a ganhar, a poupar, a consumir e a doar. “Não é doar só dinheiro, mas também tempo e talento.”

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