Política

Vereadores não votam reajuste e paralisação ganha sobrevida

Por Marcelo de Souza | Com Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A Câmara Municipal de Bauru adiou, por uma sessão ordinária, a votação do projeto que confirmaria o decreto do prefeito Tuga Angerami (PDT) concedendo reajuste de 5,03%, mais R$ 50,00 incorporados ao salário e abono de R$ 50,00 aos servidores.

Com o adiamento, os servidores em greve ganharam mais uma semana para tentar negociar com a prefeitura, o que parece improvável. A diretora do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru (Sinserm) Sônia Carvalho comemorou a decisão dos vereadores. “Dá mais ânimo para continuar o movimento”, disse.

A intenção dos vereadores é forçar o prefeito Tuga Angerami (PDT) a voltar à mesa de negociações com o sindicato, pelo menos para chegar a acordo com relação ao aumento do vale-compra e ao desconto dos dias parados. Os parlamentares sugeriram que em uma nova rodada de negociações ocorra com a participação de uma comissão de vereadores.

Na semana passada, os servidores decidiram aceitar a proposta da prefeitura, desde que os grevistas não tivessem os dias descontados e a administração aumentasse em R$ 50,00 o vale-compra, que passaria de R$ 132,00 para R$ 182,00.

Como não houve acordo, os servidores decidiram manter a greve, e foram ontem à Câmara pressionar os parlamentares a não aprovar o reajuste.

Vários funcionários municipais tomaram as galerias do Legislativo e depois que o projeto foi adiado, realizaram ato público em frente à Câmara.

Sem creche

A greve dos servidores municipais de Bauru já está na quarta semana. Com isso, as crianças da Emeii Maria de Fátima Lima, no bairro Pousada da Esperança, são obrigadas a ficar dentro de casa, sem atendimento, desde então, já que os funcionários da creche aderiram a greve desde o primeiro dia.

Moradora do bairro Pousada da Esperança, a doméstica Maria de Fátima da Silva Ribeiro precisa sair de casa 6h30 todos os dias, ir até o Mary Dota para deixar a filha mais nova, de três anos, com a cunhada. Depois, ela pega outros dois ônibus para chegar até o Jardim Camélia, onde trabalha em uma casa de família. Durante todo o trajeto, a filha mais velha, de quatro anos, e que está em tratamento de pneumonia, acompanha a mãe. Ela fica sob os cuidados da mãe, enquanto trabalha. No final do dia, Ribeiro faz o mesmo trajeto: busca a filha mais nova na casa da cunhada e chega em sua residência apenas às 20h.

“É um transtorno para mim. Já procurei uma pessoa para tomar conta da minha filha, mas teria que pagar R$180,00. Como posso gastar essa quantia se ganho um salário mínimo?”, preocupa-se. Ribeiro não enfrenta o problema sozinha. Maura Sampaio de Almeida também deixava a filha na creche da Pousada da Esperança. Com a greve, ela recorre à filha mais velha para cuidar da criança. Com a nova incumbência, a adolescente precisou faltar às aulas para cuidar da irmã.

Clara Augusta sabe muito bem o que significa responsabilidade. Aos 13 anos, ela também está cuidando do irmão mais novo, que antes ficava na creche. “Não acho difícil, mas não posso sair de casa”, conta.

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