Piratininga - Em uma reunião ontem à tarde na Câmara Municipal de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) ficou definido qual será a função de cada um dos três vereadores que compõem a Comissão Processante (CP) que irá investigar as denúncias de irregularidades na compra de madeira para a prefeitura.
Uma eleição entre os membros da CP definiu que a vereadora Maria Helena Storniollo (PL) presidirá as investigações. A função de relatora caberá a Ana Amado (PTB), e o vereador José da Graça Oliveira (PSDB), mais conhecido como Zé Gordinho, ficará como membro. A escolha não agradou o vereador tucano e ele pediu que seu descontentamento fosse registrado em ata.
Segundo o parlamentar, na noite que a CP foi aprovada tentou-se uma manobra para deixar a presidência e a relatoria com as duas vereadoras, mas a decisão foi criticada pelo vereador. Zé Gordinho fez questão de que a escolha partisse de uma eleição entre os membros da CP e não tivesse interferência de outros vereadores. No entanto, na eleição de ontem o resultado acabou sendo o mesmo e o vereador ficou apenas como membro.
Com a eleição resolvida, os integrantes da CP partem agora para os depoimentos dos envolvidos na compra da madeira. Entre os convocados devem estar o prefeito afastado Mauro Martinão (PSDB), o chefe do setor de obras Antônio Álvares Rodrigues, o tesoureiro Sérgio Fortunato e o empresário, fornecedor do produto, Gilberto Ventura.
Segundo comentou Ana Amado, caso alguma outra pessoa seja citada durante os depoimentos, a mesma poderá ser convocada para também prestar alguns esclarecimentos.
A ordem dos depoimentos deve ser definida hoje à tarde em uma reunião entre os integrantes da CP, na Câmara.
Eles terão 90 dias para chegar a alguma conclusão sobre o negócio feito pela prefeitura. Se for preciso, esse prazo poderá ser prorrogado. Entre as perguntas que precisam ser respondidas estão o motivo da demora na entrega da madeira, por que foi entregue um tipo de madeira diferente daquele que a prefeitura pediu, por que e quem autorizou o pagamento do produto sem que ele tivesse sido entregue. Essa última deverá ser a principal dúvida a ser esclarecida.
Foi por causa do pagamento antecipado da madeira que o tesoureiro e o chefe do setor de obras foram afastados e respondem a um processo administrativo. Pelo mesmo motivo, a Câmara acatou o pedido de um morador para a instalação da CP e o afastamento do prefeito até o fim das investigações.
Outra questão que ainda precisa ser definida é sobre quem dará assessoria jurídica aos integrantes da CP. Na opinião do vereador do PSDB, o ideal é escolher alguém que não tenha nenhum vínculo com a prefeitura ou com a Câmara.
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Recurso
Enquanto os vereadores se preparam para iniciar os trabalhos da Comissão Processante (CP), o advogado Giuliano Travain, que representa o prefeito afastado Mauro Martinão, aguardava ontem a cópia do processo para poder recorrer à Justiça.
“Antes de apresentar o recurso, eu preciso saber oficialmente do que ele (Mauro Martinão) está sendo acusado”, explicou Travain. O documento foi entregue ao prefeito afastado no fim da tarde de ontem, segundo informou a vereadora Ana Amado, relatora da CP que irá investigar o envolvimento de Martinão no pagamento antecipado das madeiras.
Segundo adiantou o advogado na semana passado ao JC, a ausência de provas contra o prefeito afastado deverá ser bastante explorada no recurso que ele está preparando para tentar devolver o cargo ao seu cliente.