Rio de Janeiro - Depois de pouco mais de três anos no cargo, o presidente da estatal BR Distribuidora, Rodolfo Landim, deixou a companhia para assumir uma diretoria no Grupo Pão de Açúcar. O substituto de Landim na BR ainda não foi definido. Ontem, o nome mais cotado era da presidente da Petroquisa, Maria das Graças Foster, ex-secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia na época que Dilma Rousseff chefiava a pasta.
Embora a assessoria de imprensa do Grupo Pão de Açúcar não confirme, Landim deve assumir a direção-executiva de produto não-alimentícios da corporação. Landim estava na Petrobras desde 1980. Foi um dos poucos remanescentes da equipe de comando da companhia - era presidente da Gaspetro até 2002 - que ficaram na gestão petista.
O executivo saiu da empresa poucos meses depois de não ter obtido a indicação para a presidência da Petrobras, cargo que disputou com o atual presidente da estatal José Sérgio Gabrielli. Ontem, o governo fez questão de dissociar a saída de Landim dos problemas envolvendo o fornecimento de combustível para a Varig. A BR Distribuidora é a principal fornecedora de combustível da Varig, mas tem exigido pagamento à vista para evitar que haja aumento da dívida da aérea com a empresa.
A Varig, por sua vez, quer carência de dois meses no pagamento de combustível à BR. Landim vinha sustentando a posição de que a BR não deveria dar carência para a Varig. Landim não ficou imune à crise política com as denúncias de "mensalão".
Em 2005, o advogado Rogério Buratti disse ter obtido "ajuda'' de Juscelino Dourado, ex-chefe-de-gabinete do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para marcar pelo menos uma audiência com a presidência da BR. Na época, a assessoria da BR confirmou a audiência com Landim, mas negou que Dourado tenha atuado para agendar o encontro.
Aposentados
Os aposentados e pensionistas da Varig que participam do fundo de pensão Aerus (que reúne funcionários de companhias aéreas) vão receber apenas parte de seus benefícios a partir de junho. O fundo, que está sob intervenção do governo federal, afirmou que com a decisão da Secretaria de Previdência Complementar de liquidar os dois planos de previdência dos funcionários da Varig ficarão suspensos também parte dos pagamentos aos beneficiários.
O plano foi liquidado porque a Varig não retomou a contribuição mensal de R$ 9 milhões para o fundo mesmo após a aprovação de seu plano de recuperação judicial. Em maio, o Aerus vai pagar normalmente aos aposentados e pensionistas da Varig. Em junho, os pagamentos vão equivaler a 70% do valor dos benefícios a que cada um tem direito. De agosto até outubro, os aposentados que fazem parte do plano 1 dos funcionários da Varig receberão apenas 50% do benefícios.
No caso do plano 2, o valor pago corresponderá a 70% do normal nesse período. Parte dos benefícios será cortada porque a Varig deixou de pagar R$ 2,3 bilhões para o Aerus nos últimos anos. Sem a contribuição da empresa, estima-se que o rombo criado alcance R$ 1,4 bilhão. Em fevereiro, o plano 1 dos funcionários da Varig teria cerca de R$ 88 milhões disponíveis e o plano 2, R$ 294 milhões. O dinheiro será utilizado para arcar prioritariamente com as despesas dos benefícios de funcionários aposentados e pensionistas. Os demais participantes, que ainda trabalham na empresa, não tem prioridade de recebimento, segundo a legislação brasileira.
Quando o interventor do Aerus terminar de contabilizar passivos e ativos do fundo, poderá fazer a partilha dos bens entre seus contribuintes. A decisão de manter parcialmente os pagamentos dos aposentados visa minimizar o impacto da liquidação dos planos para essas pessoas, uma vez que não há data para a conclusão da liquidação dos planos.
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Audiência
São Paulo - A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) foi convidada para falar hoje, às 10h, sobre a crise da Varig em audiência pública no Senado. A Casa Civil ainda não confirmou sua participação. A audiência acontece em sessão conjunta das comissões de Serviços e Infra-Estrutura, Assuntos Econômicos, Assuntos Sociais e Desenvolvimento Regional e Turismo.
Também foram convidados a participar o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento e Social (BNDES), Demian Fiocca; o presidente da Infraero (empresa que administra os aeroportos brasileiros), tenente-brigadeiro José Carlos Pereira; o diretor-geral da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi; além de trabalhadores e credores da empresa.
Os senadores querem conversar sobre a possibilidade de uma ajuda do governo para evitar a paralisação da Varig.