São Paulo - O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo negou hoje a liminar do pedido de habeas corpus de Suzane von Richthofen, 22 anos, que confessou ter participado do assassinato dos pais em outubro de 2002. Cabe recurso à decisão. A acusada está presa desde o último 10, e foi levada ao Centro de Ressocialização de Rio Claro (a 175 quilômetros de São Paulo) no dia 13.
Em sua decisão, o desembargador Damião Cogan, da 5.º Câmara Criminal, afirma que é melhor esperar o julgamento do mérito do pedido pela turma julgadora da 5.º Câmara. “Não é o caso de concessão de medida liminar, que é excepcional em matéria de habeas corpus, já que este tem rito extremamente rápido e será julgado em poucos dias”, afirmou, em sua decisão.
O caso deve ser analisado por três desembargadores, entre eles Cogan, que é o relator do pedido. Não há prazo fixado para o julgamento do mérito. Para o promotor do caso, Roberto Tardelli, a decisão do desembargador já era esperada. “A prisão está calcada em dados da realidade. Ela solta representa risco ao irmão (Andreas von Richthofen, 19 anos), porque ele complica a situação dela à medida que não permite que ela tenha acesso aos bens e quer excluí-la de ter direito à herança”, afirmou Tardelli. Segundo ele, a má repercussão da polêmica entrevista da acusada ao programa “Fantástico”, da Rede Globo, também a deixou mais propícia a uma fuga.
No último dia 20, o médico Miguel Abdalla, tio da acusada, entrou com uma petição na Justiça na qual ele afirma que Suzane foi vista “rondando” a casa onde ele vive com sua mãe e Andreas, no bairro do Jardim Aeroporto (zona sul de São Paulo). A medida complicou ainda mais a situação de Suzane com a Justiça. Procurados pela reportagem, os advogados de Suzane, Mário Sérgio de Oliveira e Mário de Oliveira Filho, não ligaram de volta para comentar o caso.
Na manhã de hoje, antes de saber da decisão do desembargador, Oliveira Filho criticou a detenção e disse que a acusação plantou provas na solicitação de prisão feita à Justiça. No texto do pedido de habeas corpus, os advogados criticaram a atitude do juiz e insinuaram que ele foi influenciado pela mídia. Oliveira Filho disse que Suzane não pretendia fugir do país nem tampouco rondou a casa do irmão. “O tio disse que ela rondou a casa há dois meses, porque ele só comunicou isso à Justiça depois da prisão dela?”, questionou.
O tutor da acusada, Denivaldo Barni, não foi encontrado, em seu escritório, para falar sobre a decisão. Miguel Abdalla não atendeu a ligação da reportagem.
Julgamento
Suzane foi presa no último dia 10, após o juiz Richard Francisco Chequini, do 1.º Tribunal do Júri, acatar pedido do Ministério Público. Ela estava em liberdade desde o dia 29 de junho do ano passado, após ser beneficiada por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que a permitia aguardar o julgamento em liberdade.
Suzane, seu namorado na época, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, confessaram o assassinato dos pais dela, Manfred, 49 anos, e Marísia, 50 anos, em outubro de 2002. O casal foi morto com golpes de barra de ferro enquanto dormia. Os três foram denunciados à Justiça por duplo homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O julgamento do três está marcado para 5 de junho.