Tribuna do Leitor

Não


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Saber dizer não no momento certo, com coerência, é inteligente. Pais se recusam dizer não aos filhos, deseducando-os; filhos dizem não aos pais, enfrentando-os. Alunos dizem não aos professores, desafiando-os. Banqueiros dizem não para a redução dos juros e das suas tarifas, sangrando a economia. Quando o advérbio não deveria ser usado, o governo diz não aos aposentados; não aos que precisam de assistência médica mais humana e outros tantos não castigando o povo, infeliz refém que acreditou nas suas fantasias eleitoreiras. O governo deveria, isto sim, afirmar não aos banqueiros que estão nadando às braçadas num mar adoçado pelos seus lucros fabulosos; não ao aumento do preço dos combustíveis, principalmente do brasileiríssimo álcool. Dizer não ao Stédile, incentivando súcias de agitadores do sem-terras, invadindo e destruindo propriedades públicas e particulares; divertindo-se, cinicamente, com o beneplácito do governo. É bom lembrar sempre: quando a alcatéia engrossa é difícil controlar sua fúria, seu apetite voraz.

Dizer não aos seus companheiros corruptos do pt (minúsculo mesmo), para criarem vergonha na cara; amarem, ou, no mínimo, respeitarem o país e o povo que os elegeu; negar que tenha afirmado que nada sabia do mensalão, que desconhecia os embustes dos bingos, dos correios e de outras safadezas; dizer não aos traficantes na política com seus conluios imorais, comprometendo o país em todo o mundo. Dizer não a si mesmo pelos discursos que improvisa muito mal; aos acenos e sorrisos canastrões que enganam somente aos incautos.

As pesquisas, apontando possível reeleição preocupam, ou melhor, assustam; será que a maioria dos eleitores é cega e surda? Será que votará outra vez num candidato que se faz de cego e surdo? Um hipócrita, declarando ignorar tantas trapaças e piqueniques festejados no seu quintal, calando-se quando o mutismo lhe convém?

Nas eleições de outubro próximo, nós, eleitores, teremos o mais sério compromisso de nossas vidas com a Nação. A decisão, a opção de manifestarmos nossa força dizendo, por meio do voto, sim ou não para a imoralidade praticada por políticos despudorados. Somente com esse poder que temos nas mãos, repito o voto, podemos fazer com que o Brasil se cure dessa doença ruim denominada corrupção. Reeleger o homem (recuso-me mencionar seu nome) e os políticos que deveriam ser cassados e não foram, é cooperar para que a bandalheira e os festivais de pizzas continuem deslavadamente; é compactuar com a vilania, endossando promissórias que teremos que pagar pelo calote que nos será aplicado mais uma vez. Não podemos mais fazer do voto instrumento desafinado; nem nos acomodarmos, deixando que quadrilheiros se inocentem dos crimes comprovados como vem acontecendo nos processos de cassação com réus absolvidos pelos seus comparsas.

Sem patriotadas, precisamos despertar o gigante adormecido, dopado por políticos insensíveis à pátria; voltados somente aos interesses pessoais e partidários. O poder embriaga. O veneno da soberania inebriou homens sem caráter e mulheres que, dançando, desdenham a democracia e os eleitores que os conduziram ao poder. O voto é o único remédio contra a maior desgraça do Brasil: a corrupção. A escolha pela decência política na Nação é do eleitor. Em outubro, com o voto consciente, a dignidade no poder, com certeza, será restaurada. Oxalá!

Munir Zalaf - escritor-Poeta - RG 2.726.959

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